Apesar de ser muito mais oriental, um dos elementos da nossa cultura nerd são os robôs gigantes, mais conhecidos como Mechas. Na televisão, filmes, séries ou animações, quando os personagens vão para robôs gigantes, quer dizer que as coisas estão ficando sérias, sendo necessário um maior poder de fogo.

Essa é a base dos jogos de Mecha, sendo o Gundam o mais popular. Quem acompanha o nosso site sabe que eu já fiz a análise de outro jogo de Mechas, o indie Project Nimbus (confira a Análise e o Podcast). Porém, dessa vez, o jogo veio diretamente da Nintendo, e será que deu certo? Vamos ver.


Ficha Técnica

Título: Daemon X Machina

Plataforma: Nintendo Switch

Tamanho: 6,5 GB

Desenvolvedora/Publicadora: Marvelous Interactive Inc./Nintendo

Jogadores: 1

Em Português: Não

Gênero: Ação, Combate aéreo

Save na Nuvem: Não

Classificação: 13+


História

Em Daemon X Machina, o planeta Terra foi atingido pela Lua e foi carregado com partículas de energia chamadas Femto. Algumas pessoas receberam poderes especiais por causa dessa substância e muitos se tornaram mercenários, que são contratados pelas nações para lutar contra a Arms of Immortal, uma inteligência artificial que foi corrompida por causa das partículas da Lua.

Durante as missões, o personagem principal conhece outros mercenários, ganha amigos e inimigos, enquanto vai subindo de ranking e conseguindo dinheiro e equipamentos para seu mecha, que é nomeado de Arsenal.

A história é contada lentamente, com um foco maior no desenvolvimento dos personagens, feito muitas vezes de uma forma desnecessária e intrusiva, tornando-se desinteressante. Os diálogos longos e massantes mostram uma relação que os personagens já possuíam antes da história do jogo começar, não inserindo-os no contexto, mas apenas com o intuito de mostrar quem é bom e quem é mau.

As missões são divididas em Free Missions e Offer Missions, sendo que as Free são opcionais e as Offer avançam na história. Além da constante luta contra os avanços do Arms of Immortal, muitas vezes as nações contratam o personagem principal para missões isoladas, como testar um equipamento, proteger alguma estrutura ou até mesmo contra outras nações.

A forma como se dá isso é bem típica de jogos com temáticas bélicas: o jogador escolhe a missão, é passado o briefing e é possível alterar os equipamentos de acordo com os dados. Essa parte é interessante já que, logo após o briefing, muitas vezes ocorre um momento de interação entre os mercenários, ocasião em que eles questionam alguns detalhes e conversam entre si sobre a missão.

No geral, a história do jogo é boa e interessante, mas a forma em que é contada é cansativa, não havendo recompensas quando se assiste a uma cena. A Nintendo, que está cada vez mais melhorando em sua forma de contar histórias, apostou em uma maneira que deixou a desejar na criação dessa nova franquia.

Jogabilidade

Sabemos que a Nintendo possui um foco muito grande na jogabilidade, procurando inovar criando novas maneiras de se jogar, mudando outras ou realizando misturas em jogabilidades diferentes. E é sobre essa mistura que se trata Daemon X Machina.

Basicamente, é uma mistura entre jogos de caça e jogos de tiro em terceira pessoa, com um foco maior nos jogos de tiro. A HUD é muito mais simplificada se comparada aos jogos de caça, além de ser muito mais limpa se considerarmos a franquia Gundam, parecendo muito mais um jogo de tiro em terceira pessoa. Ainda, a jogabilidade é muito rápida e frenética, sendo necessário aumentar a velocidade da câmera de controle livre para acompanhar o ritmo.

Todavia, Daemon X Machina se diferencia muito dos outros jogos no que se refere aos projéteis, pois as armas de mão apenas atiram em trajetórias retas, ou seja, os tiros não seguem o oponente. Isso não é um problema, pois, quando o oponente está em movimento, o Arsenal atira automaticamente um pouco mais a frente para que a bala acerte em cheio. Por outro lado, muitas das armas de ombro possuem mísseis que seguem o oponente, mas também não ajudam tanto.

Por falar em armas, existem os mais variados tipos. Considerando as armas de mão, que podem ser equipadas quatro ao mesmo tempo, temos: rifle de assalto, metralhadoras, pistolas, escopetas, snipers, bazooka, armas laser, armas de ácido, armas de eletricidade, lança-chamas, armas brancas, escudos e outras.

Conforme mencionado acima, há ainda as armas que vão no ombro, que podem ser: mísseis teleguiados (bem como as suas variantes) e lasers. Não sendo o bastante, é possível ter um equipamento auxiliar, que pode ser: lança granadas, flare (para confundir mísseis teleguiados), extensor de munição, extensor de stamina, bateria de partículas Femto, vida extra, etc.

Neste momento, você deve estar imaginando que controlar todos esses equipamentos gera uma boa confusão, mas não! A complexidade na jogabilidade aumenta de forma cadenciada, havendo tempo para se acostumar com o que já tem para, então, acrescentar outros fatores. E mesmo assim é fácil esquecer de utilizar alguma coisa, mas não chega a ser uma falta grave.

Um aspecto interessante para destacar é que Daemon X Machina exige um controle intenso, pois não são raros os momentos em que se usa 6 dedos ao mesmo tempo no controle, sendo os dois dedões nos analógicos, controlando movimento e camera; os dois dedos médios nos gatilhos ZL e ZR, controlando armas da mão direita e esquerda; e os dois indicadores nos gatilhos L e R, controlando arma auxiliar e boost. É um jogo que exige muita coordenação motora e velocidade de reflexos. Apesar de toda esta complexidade, a recompensa quando se supera um desafio vale muito a pena.

Um ponto muito negativo quanto a jogabilidade, entretanto, é que não é possível alterar a dificuldade. Nenhuma das atualizações recentes corrigiram isso, mas espero que logo tenham esta opção. Isso pelo fato de um jogador não acostumado poder passar por situações desagradáveis, pois há alguns momentos em que é necessário rever todo o arsenal para passar algumas missões mais difíceis.

Apesar disso, o jogo possui uma demo, então é muito mais fácil jogar essa demo antes de tomar qualquer decisão sobre a compra do jogo

Direção de arte

Daemon X Machina possui um visual agradável e bem competente, apostando no Cel Shading e ganhando pontos por isso, mas existem muitos ambientes genéricos, objetos e estruturas que se repetem constantemente, além de pouca variação nos oponentes mais básicos. Por se tratar de Nintendo, estamos acostumados com cenários que enchem os olhos, mas aqui é apenas mediano.

O ponto forte está nos Mechas, que possuem uma grande complexidade, sendo possível alterar muitas peças de seu arsenal, além de pintá-las separadamente. Os bosses e estruturas maiores também são fantásticos, saindo do básico e inovando com a criação dos mais variados tipos de Mechas.

A trilha sonora realmente deixa a desejar. As músicas não tem personalidade e são extremamente cansativas. São temas genéricos que nem de longe lembram a competência musical da Nintendo para produzir obras que transcendem os games.

Contudo, o ponto positivo aqui vai para a dublagem, pois ela está muito bem caracterizada para cada personagem, dando mais individualidade a cada um deles.

Veredito

Daemon X Machina é, infelizmente, um jogo que não vale o preço cheio. Claro que existem pontos positivos além dos negativos expostos nas linhas acima, mas não são o suficiente para justificar tal investimento.

Em meio a diálogos isolados entre os personagens, uma trilha sonora cansativa e uma história que acontece muito lentamente, existe uma jogabilidade complexa e animadora, mas que mesmo assim não consegue compensar os outros fatores. Destaco, dentre os elementos de gameplay, a customização completa do mecha que é mais legal do que qualquer outra coisa.

Por isso, em linhas gerais eu recomendo Daemon X Machina para quem gosta de jogos de tiro em terceira pessoa e jogos de caça. Importante salientar que, caso realmente tenha interesse no jogo, há uma demo disponível na eShop, ou seja, é possível testar o jogo antes de tomar qualquer decisão.

E você, jogou já? Interessou-se pelo jogo? Compartilhe conosco nos comentários!


Trailer do jogo


Este Review foi feito utilizando uma cópia enviada pelos produtores.