[REVIEW] The Gardens Between

Arina e Frendt são dois grandes amigos que caem em um mundo misterioso em que o visitamos as suas memórias à medida em que avançamos e retrocedemos no tempo. Mas será que o jogo se sustenta? É o que veremos no review de hoje!


Ficha Técnica

Título: The Gardens Between

Plataforma: Nintendo Switch

Tamanho: 1.6 GB

Desenvolvedora/Publicadora: The Voxel Agents

Jogadores: 1

Em português: Sim (interface)

Gênero: Puzzle

Save na Nuvem: Sim


Sobre o Jogo

Este jogo foi mostrado, salvo engano, em uma Direct, e logo que vi fiquei interessado principalmente pelo visual. Em uma promoção recente, resolvi arriscar nesse jogo australiano cuja premissa é no mínimo interessante. 

The Gardens Between é um puzzle em que você não controla os personagens, mas, tal qual o Deus Chronos, você controla o tempo. Os dois protagonistas têm caminhos percorridos de forma automática, e você deve avançar e retroceder no tempo para fazê-los andar para frente ou para trás. Para isso, o jogador utiliza apenas o analógico esquerdo (ou botões ZL e ZR)!

Ao longo do caminho, deverá interagir com objetos no cenário e resolver os diversos quebra-cabeças que aparecem. Em si, o jogo tem uma mecânica bem simples, e títulos com mecânicas tão básicas assim acabam por ter que se sustentar por outros critérios, sendo que, neste caso, ele tenta se manter pelos puzzles e pela história. E é nesses dois aspectos que irei me concentrar. 

História

Arina e Frendt são dois grandes amigos que estão em uma casa da árvore em meio à tempestade. Essa casa na árvore conecta o jardim da casa de Arina ao da casa de Frendt.  Esta mesma casa servirá de barco para a aventura que está para começar.

Você entrará em um mundo em que o tempo é relativo e caminhará pelas memórias deles até conhecer a resolução da trama. Cada “mundo” é um conjunto de duas ou três ilhas (cada uma é um puzzle) temáticas que juntas revelarão uma das memórias dos dois protagonistas. Seu objetivo é simplesmente subir ao topo de cada uma.

Um ponto a destacar aqui é a forma como eles contam essa história. É aquela forma silenciosa, em que os personagens não falam durante todo o processo, ou seja, de forma puramente artística; contada pela via visual e não pela via sonora. É impressionante como você consegue entender tudo o que se passa sem que os personagens digam um “A” sequer. Quando conseguem fazer isso, o jogo já tem boa parte de chance de ser emblemático. 

Infelizmente eu deduzi de forma antecipada a resolução da trama, o que prejudicou a minha experiência com o game, pois não consegui ter aquela sensação causada pelo descobrimento do final. Entretanto, acredito que, para aqueles jogadores que tenham vivido as situações apresentadas e para os que não conseguirem deduzir o desfecho da narrativa, este jogo pode ser á uma revisita às próprias memórias, podendo inclusive emocioná-los. 

Puzzles

O jogo apresenta diversos tipos de puzzles que ficam mais complexos conforme a jornada avança, iniciando em uma apresentação das mecânicas básicas e indo até aqueles em que você fica olhando para a tela sem ter a mínima noção do que deve ser feito. Seguindo a linha de contar a história visualmente, aqui não há um narrador ou texto te dizendo “faça isso para ter esse resultado”. 

Arina carrega uma espécie de lampião e o Frendt é responsável pela interação com certos objetos do cenário. O lampião é utilizado para armazenar um orbe luminosa. A resolução dos desafios encontrados durante a jornada envolvem muito a observação do cenário e dos elementos na tela. Entretanto, algumas dessas observações são tão minimalistas que podem frustrar muitos jogadores, principalmente no modo portátil em que a tela é pequena e dificulta muito a percepção de certos elementos. 

Além disso, um outro problema com relação aos puzzles é que em alguns deles a resolução do problema contradiz o próprio conceito de ir e voltar no tempo (é difícil explicar sem dar spoiler!), ou seja, quebra o conceito de fazer/desfazer determinada ação e a solução pode não ser tão dedutível. Em muitos destes casos, a solução pode ser conseguida na “sorte” e o jogador não terá a sensação de recompensa por ter conseguido superar o desafio sozinho.

Por isso eu enfatizo que o jogador tem que prestar atenção em tudo, pois, mesmo nestes casos, aqueles jogadores mais atentos poderão perceber as mudanças sutis e assim se sentirá premiado por ter descoberto as resoluções dos quebra-cabeças. Em alguns momentos você voltará e avançará no tempo inúmeras vezes, achando que é impossível passar da fase, mas tão logo perceberá que a forma de superá-la estava diante dos seus olhos e você não havia notado.

Visual e Trilha Sonora

O visual desse jogo é muito bonito, minimalista e com elementos nostálgicos. Como dito anteriormente, cada ilha é temática e revela uma memória. Há objetos que farão você viajar nas suas próprias memórias e soltar aquele sorriso sincero.

Porém, diferentemente dos gráficos, não tenho muito o que falar sobre a trilha sonora. Eu particularmente achei as músicas repetitivas e um pouco enjoativas. São músicas mais calmas, com a proposta de serem relaxantes. Porém, em alguns momentos eu cheguei a colocar a TV no mudo para não escutá-las. Já os efeitos sonoros fazem o papel que deles se espera. 

Veredito

O jogo em si é curto, durando cerca de duas a três horas de duração. Os puzzles são divertidos e contam com resoluções criativas e recompensadoras. Entretanto, além dos problemas descritos no tópico anterior, com o passar do tempo algumas soluções se repetem. Mesmo assim, gostei da experiência de resolvê-los.

Já a história pode te causar um grande impacto, dependendo apenas de se você descobrirá a verdade antes da revelação final ou não. Mesmo sem ter me causado aquela surpresa vinda com o encerramento da trama, a história continua sendo bonita e pode até te emocionar, caso exista uma semelhança entre as suas experiências de vida e as mostradas durante a narrativa.

Com as devidas ressalvas feitas, acredito que este jogo seja indicado para aquelas pessoas que sintam falta de um jogo com uma bela história, com vários e vários quebra-cabeças para passar o tempo e com uma proposta de gameplay bastante interessante.

Trailer do Jogo

Espero que tenham gostado deste review e até o próximo post.

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Tovar

Nintendista desde os 8-bits, pulei somente a geração GameCube (que recuperei com o Wii). Sou fã de The Legend of Zelda, Donkey Kong, Mario, Mega Man, etc. Resumindo: sou fã de jogo bom!