O assunto hoje é extremamente delicado e confesso que refleti muito se deveria ou não escrevê-lo. Pois bem, decidi fazê-lo, então preparem as tochas!

Recentemente circulou um rumor ou notícia  (minha posição é de que seja mais um rumor) de que a Nintendo estaria fazendo uma certa pressão para que as publishers e desenvolvedoras third party anunciassem jogos o quanto antes para o Switch. Tal pressão estaria relacionada à venda promissora do console que parece ter caído no agrado dos consumidores, mas também pelo apoio inicial que elas dariam ao console e que foi demonstrado pela Nintendo no anúncio do console.

Como jogador isso é bom, não é? Não exatamente, pois o buraco é um pouco mais embaixo.

A questão histórica

Fã ou não, temos que assumir que a Nintendo sempre se achou a última coca-cola do deserto em questão de jogos, uma visão que apareceu de diversas formas ao longo da história e, juntamente com alguns outros detalhes, afastou muitos desenvolvedores de seus consoles.

Esse movimento começou na época do PS1 que estava de portas abertas para as desenvolvedoras, diferente da Nintendo que acreditava ter o mercado na palma da mão por conta de seu desempenho na geração passada. O PS1 vinha com uma proposta que parecia mais interessante: um CD de 700mb vs 64 mb do cartucho do N64, que era caro e tinha que ser comprado da propria Nintendo. Isso resultou em um console bom, mas com poucos jogos exceto os da própria Nintendo.

Eis que então surgiu o Nintendo Game Cube que chegou para competir mais diretamente com seus rivais e estava buscando o apoio das thirds. Porém, algumas escolhas ruins como uma mídia proprietaria e diferente do dvd (um mini dvd) para que ela não pagasse pelo seu uso, além de ter novamente menos espaço o que um DVD comum (1,4Gb vs 4,7GB) , afastou novamente as empresas.

Chegou o Wii, um sucesso de vendas, que também recebeu pouca atenção das thirds devido a sua limitação em Hardware e quase obrigatoriedade em usar um dispositivo de movimento que era bom para alguns, desnecessários para outros. Não me entendam mal aqui, o Wii recebeu muitos jogos third party, porém muitos deles eram focados na família e eram muito diferentes dos que viamos no PS3 e Xbox 360.

O Wii U sofreu do mesmo mal de seu antecessor, estando defasado perto de seus concorrentes e de certa forma “obrigando” as empresas a praticamente fazerem uso do periférico do momento, o gamepad. A questão aqui não é defender nenhum dos lados, é apenas mostrar que a relação da Nintendo com Thirds não é boa há várias gerações e esta recheada de complicações. Suas plataformas receberam pouquíssimos jogos thirdies multiplataforma, ainda que algumas desenvolvedoras souberam usar os consoles para produzir conteúdos diferentes como os jogos da série Final Fantasy que eram excelentes, ainda que diferentes do que o Xbox e Playstation recebiam.

Por outro lado o Nintendo Switch não está tão defasado de seus concorrentes (se desconsiderarmos o pro e  o scorpio) e não necessariamente obriga as desenvolvedoras a usar o controle de movimento, e o lado portátil do console é um pouco insignificante em uma questão de desenvolvimento visto que praticamente “basta reduzir a qualidade do jogo”.  O switch é em teoria, um console que pode receber os mesmos jogos de seus concorrentes sem grandes problemas.

Conteúdo

Toda a historia de atrito entre Nintendo e Thirdies gerou algumas situações ao longo dos anos. Primeiro temos o fato de que seus consoles sobreviveram praticamente de seus próprios jogos e muitas vezes são feitos pensando neles. Isso criou uma mentalidade em parte de seus público consumidor de que a Nintendo não precisa das thirdies ou que seus jogos são para alguns desnecessários. Para um desenvolvedor isso é complicado, uma vez que o mercado de jogos é um negocio e ele precisa de um retorno que faça valer a pena a produção de seus produtos em determinada plataforma. Os desenvolvedores não têm até então nenhuma garantia de que seus próximos lançamentos venderiam bem na plataforma e trazê-los é, na realidade, uma oposta incerta. É um fato de que a Nintendo anunciou grande apoio das thirds, mas pouco se viu até agora de concreto sobre isso, exceto anúncios de ports de jogos antigos e quase nenhuma grande lançamento planejado para a plataforma como foi o caso de Mass Effect e Shadows of War.

A falta de thirdies fez com que o Wii e o Wii U, além do DS e 3DS recebessem muitos jogos Indies que hoje possuem uma força grande no mercado e são para muitos, até melhores e mais interessantes do que jogos AAA das grandes thirdies. Se a Nintendo está  buscando anúncios de jogos e conteúdo para seus consoles, ela deveria também olhar para esses jogos e apoiá-los como nunca antes. O que vemos de fato é que ela está selecionando a dedo quem entrará ou não na plataforma e isso tem dado vários problemas (entenda melhor clicando ouvindo o nosso POWdcast sobre o tema). De certa forma, a Nintendo está deixando de lado quem sempre esteve ao seu lado para tentar buscar novas parcerias que podem ou não funcionar em sua nova plataforma.

Ainda temos o fato de que se considerarmos Zelda como um port, o que ele de fato é, esse é o primeiro console da Nintendo que foi lançado sem nenhum jogo novo da própria empresa (Desconsiderem 1-2 Switch, pois ele é deveria ter vindo com o console, assim como o Wii Sports e o Nintendo Land, que demonstravam as funções do console). O que temos de fato são dois grandes portes de jogos do Wii U e apenas anúncios de novos títulos que ainda estão por vir.

O que quero dizer com isso, é que fica complicado você querer que um grupo de desenvolvedores se apressem para abraçar sua causa quando você dificulta a entrada de jogos em seu console por parte de um grupo que tem crescido, e quando você traz pouco conteúdo novo de sua própria autoria.  É preciso sempre lembrar que a maioria do publico que consome multiplataformas já possuem suas plataformas de escolhas para jogar esses jogos e que não há verdadeiramente garantia alguma de que esses jogos venderiam bem na plataforma. Muitos vão dizer que o console vendeu bem em sua estreia e isso seria motivo suficiente para dar apoio ao console, mas a verdade é que ainda é extremamente cedo para dizer o quão bem a plataforma continua vendendo, logo, qual o tamanho de sua base de usuários e o que eles de fato desejam consumir.

É provável que nesse momento, as desenvolvedoras estejam mais interessadas em ver quem comprará o console e que tipo de jogo ele deseja para então investir em jogos novos. Se o Switch terá ports de jogos multiplataforma ou conteúdo semelhante, mas diferente como aconteceu com a série Final Fantasy no Wii, só o tempo dirá. O que é certo, é que apressá-las agora é arriscado e isso pode se tornar um novo capitulo na conturbada relação da Nintendo com as Thirdies.

E apenas para lembrar, a história prova que usar uma mídia diferente e proprietaria nunca deu certo com a Nintendo, espero muito que os cartuchos do Switch não se torne um problema para o console.