[REVIEW] The Longest Five Minutes

Um herói enfrenta a origem de todo o Mal, o próprio Deamon King, mas de repente perde todas as memórias da tua aventura. Ele tenta recuperá-las enquanto luta contra o chefão. Mas será que esse jogo é bom ou será que ele não vale 5 minutos do seu tempo?


Ficha Técnica

Título: The Longest Five Minutes

Plataforma: Nintendo Switch

Tamanho: 1.2 GB

Desenvolvedora/Publicadora: NIS America

Jogadores: 1

Em português: Não

Gênero: JRPG

Save na Nuvem: Sim


Sobre o Jogo

The Longest Five Minutes (TLFM) é um jogo no estilo JRPG (Japanese Role Playing Game) lançado para o Nintendo Switch no início de 2018, desenvolvido e publicado pela Nippon Ichi Software.

Todos os elementos que compõem o gênero estão presentes: batalhas por turno, classes de personagens variadas, Party com quatro heróis, encontros aleatórios, progressão de personagens e equipamentos etc.

Mas com tantos elementos clássicos e fórmula já conhecida da grande maioria dos jogadores, o que faz TLFM se destacar e ser relevante em um mercado com tantos bons títulos do gênero?

De trás para frente

O que mais chama a atenção em TLFM é como ele se apresenta. Ao iniciar a campanha o jogador já é inserido em um combate contra o que aparenta ser o chefe final.

Seus personagens já estão evoluídos, assim como os equipamentos. Mas por algum motivo Flash, nosso herói principal e o centro de todo o enredo do jogo, perdeu suas memórias recentes.

Flash é incapaz de se lembrar de qualquer coisa referente a sua jornada. Qual sua motivação? Como chegaram até esse confronto?

Ao perceber que seu companheiro é incapaz de lutar com todas as suas forças e que sem Flash a batalha está praticamente perdida, Yuzu (Lutadora), Regent (Mago / Bardo) e Clover (Suporte) tentam resgatar as memórias de Flash e trazê-lo de volta para o combate.

E é exatamente aí que o jogo começa de verdade. Precisamos conduzir Flash, Yuzu, Regent e Clover pelas memórias apagadas de Flash e entender o que aconteceu desde o início da jornada até a batalha final contra Deamon King.

A cada nova memória resgatada um capítulo do jogo é concluído e nossos heróis conseguem algum avanço na batalha contra Deamon King.

Sem dúvida nenhuma acompanhar o desenrolar da trama do final para o começo é o grande diferencial de TLFM. Todo o enredo começa a fazer sentido muito cedo na campanha, mas grandes reviravoltas acontecem apenas nos capítulos, ou memórias, finais.

Todo o confronto contra Deamon King acontece para os personagens em um período de apenas 5 minutos. Tempo esse que é marcado por um contador no canto superior direito da tela, que além de dar nome ao jogo também serve para mostrar ao jogador o progresso na campanha. Campanha essa que leva em torno de 10 horas para ser concluída.

Referências por todos os lados

Jogar TLFM e não deixar um sorriso por conta das referências encontradas é uma tarefa quase impossível.

Visualmente, durante boa parte o jogo é uma homenagem aos clássicos de 8bits com Sprites muito bem desenhados e animados. Durante as batalhas e em algumas poucas cutscenes é possível ver os personagens mais detalhadamente homenageando também a geração 16Bits.

TLFM presta uma grande reverência aos seus antecessores de mesmo gênero.

De Pokémon temos os Sprites dos personagens e a exploração de cavernas. Phantasy Star está presente na formação da equipe, na visão em primeira pessoa durante os combates, na simplicidade dos menus e na exploração de Dungeons em forma de torres.

Também temos os clássicos encontros com combates aleatórios, com um ou mais inimigos presentes em qualquer JRPG. Os encontros são bastante frequentes, principalmente dentro de Dungeons, e acabam sendo mais espaçados nas jornadas externas por florestas e montanhas.

É muito engraçado como o próprio jogo tira sarro de si mesmo. Por exemplo: em uma determinada situação, ao entrar em uma das casas da vila e falar com seu morador, ele me disse algo como: “Não é porque você é o nosso herói que pode ficar entrando na casa dos outros sem pedir permissão”

Retrô, mas nem tanto

Apesar das referências e da escola mais tradicional dos JRPGs, TLFM conseguiu modernizar diversos aspectos no que diz respeito a jogabilidade deixando a diversão mais dinâmica. 

Esqueça aquela atividade desnecessária de Grinding pois o jogo não exige isso, conseguimos recuperar toda nossa equipe fora de combate apenas apertando um botão e ainda existe uma opção para escolher os equipamentos mais fortes de cada personagem sem precisar ficar testando inúmeras combinações.

Temos diversos personagens que podem entrar e sair da Party em momentos específicos do jogo. Cabe ao jogador decidir como melhor montar sua equipe para a batalha final contra Deamon King.

Algumas decisões também ficam a cargo do jogador durante o caminho e pincipalmente durante os trechos de batalha contra o chefe final. Decisões essas que podem alterar o final do jogo. Sim temos mais de um final possível o que garante um pouco do fator Replay.

A trilha sonora também é fantástica e nos remete a jogos mais antigos. Muito por conta do estilo utilizado nas composições com acordes simples, mas que são executadas de maneira tão bacana que fica grudado na nossa cabeça.

Nem tudo são flores

Assim como todo jogo temos alguns pontos que mereciam um pouco mais de polimento. Nada que chame muito a atenção ou atrapalhe a experiência, mas nem por isso podemos deixar de mencionar.

O idioma é um dos problemas. O jogo não está disponível em português o que dificulta bastante o entendimento do enredo, principalmente porque estamos lidando com fatos que ocorrem fora da ordem cronológica.

O jogo também não conta com um mapa ou algo que indique os próximos objetivos, por isso é importante prestar muita atenção aos diálogos para saber quais locais visitar e quais direções seguir.

Outro ponto que chama a atenção negativamente é a falta de criatividade e até mesmo falta de capricho nos inimigos do jogo. O design é pobre e não conseguem inspirar medo ou mesmo aquele sentimento de insegurança.

Outra observação é sobre a compra de equipamentos e itens. Eles não acompanham seu personagem no avanço da campanha. Sendo assim não faz sentido ficar acumulando dinheiro para conseguir aquele equipamento bacana pois no próximo capítulo ele não estará mais com você. O próprio jogo deixa isso bem claro logo nos primeiros minutos, mas ainda assim é frustrante.

E por último eu gostaria de pontuar o excesso de diálogos. Muitos deles inclusive não trazem nenhuma informação útil ou mesmo interessante. Estão ali apenas para nos distrair de nossos objetivos. 

Até mesmo na parte final do jogo quando o ritmo está evoluindo bem para o final começam algumas conversas intermináveis que acabaram me deixando com a sensação que elas estão ali apenas para esticar um pouco mais a experiência.

Vale a pena?

Essa pergunta não é fácil de responder uma vez que cada jogo é uma experiência pessoal e varia muito de jogador para jogador.

Confesso que inicialmente TLFM me decepcionou e pareceu até mesmo um pouco confuso, mas com o avançar dos capítulos o enredo acabou me cativando e eu fiquei bastante interessado em descobrir o que tinha acontecido com Flash.

TLFM é um jogo fácil e que não exige muitos desafios ou habilidades por parte do jogador. O desafio maior é resolver pequenos Puzzles dentro de Dungeons e labirintos como as torres finais.

Em contrapartida se você está procurando um jogo com um enredo bacana, algumas reviravoltas e sem muitas dificuldades acho que vale a pena dar uma chance para ele.

No geral minha experiência foi bastante boa e agradável. Tenho minha cópia física e pretendo ficar com ela para revisitar qualquer dia. É aquele jogo que eu não tenho coragem de me desfazer porque sei que vai dar vontade de jogar de novo.

Entretanto, é um jogo que deve ser comprado pelo preço certo. Não é difícil achar cópias físicas de TLFM a um preço bem abaixo dos demais jogos para o Switch.

Minha recomendação é: se você gosta de jogos JRPG e encontrar uma promoção bacana vale muito a pena dar uma chance para Flash e sua turma!

Trailer do jogo


Sobre o autor deste review

Este Review foi feito pelo nosso amigo Rodrigo Reche.Você pode encontrá-lo no site/podcast do Fliperama de Boteco.

Segue abaixo um pouco sobre ele:

“Oi, eu sou o Rodrigo Reche! Tenho 37 anos e sou completamente apaixonado por Videogames. Ganhei meu primeiro console, um Atari 2600, do meu pai em 1984 quando eu ainda tinha 3 anos de idade. Foi paixão à primeira jogada. Desde então passei por diversos consoles de todas as gerações, mas guardo até hoje um carinho especial por consoles da Nintendo!”.


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