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[REVIEW] Hazel Sky – O Faz-Tudo de Gideon

Jogo brasileiro que promete te levar em uma jornada em busca de se tornar um engenheiro de uma cidade voadora chamada Gideon. Mas será que o jogo consegue cumprir a sua missão? Ou será que tropeça em alguns obstáculos? Vamos descobrir juntos nessa análise.


Ficha Técnica

Título: Hazel Sky

Plataforma: Nintendo Switch

Data de Lançamento: 19/07/2022

Tamanho: 3.4GB

Desenvolvedores: Coffee Addict Studios

Publicadora: Neon Doctrine

Jogadores: 1

Save na nuvem: Sim

Em português: Sim

Gênero: Aventura, Ação, Puzzle

Preço no Lançamento (BR): R$ 49,99

Preço no Lançamento (US): US$ 24,99


Sobre o Jogo

Shane é o filho de um engenheiro que é levado por seu pai a uma ilha misteriosa, com o intuito de passar por vários testes e, finalmente, se tornar um engenheiro da cidade flutuante de Gideon. Porém, nesta ilha há muitos corpos dos aspirantes à profissão que pereceram durante as tentativas ou que optaram por não retornar à cidade.

Para ter sucesso em sua empreitada, Shane passará por vários testes que consistem em consertar (ou remendar) máquinas voadoras e – assim – voar de volta à cidade, ocasião na qual será condecorado com o título de engenheiro.

Contudo, uma revolta de grandes proporções está para ocorrer no exato dia em que Shane é levado para a ilha. Sendo assim, durante a sua jornada, Shane vai tomando conhecimento dos eventos que estão acontecendo na cidade por meio de rádios que estão espalhados pelo cenário, bem como tem que lidar com a ansiedade de terminar seus afazeres e retornar para Gideon para auxiliar seu pai na contenção da revolta.

Em sua estadia na ilha, Shane se comunica via walkie-talkie com Erin, uma personagem com a qual ele começa a interagir de tempos em tempos e acaba criando um elo de parceria.

Todavia, apesar de bastante promissora, a história acabou me perdendo durante a aventura, pois o jogo falha em explorar as motivações da revolta, suas consequências e o impacto disso tudo na vida dos cidadãos de Gideon e do Shane. Por se basear muito em páginas e páginas de leitura de livros e bilhetes que você encontra pelo caminho, senti falta de o jogo me contar a história de forma orgânica. Resumindo: se o jogador não se esforçar em buscar as leituras e jogar somente o jogo da forma como ele foi proposto (linearmente), ele pouco ou nada entenderá do enredo.

Outro aspecto a se mencionar é que os rádios que narram e atualizam o personagem principal acerca dos eventos que estão ocorrendo na cidade fornecem pouquíssimas informações do conflito, deixando aquele gostinho de “gostaria de saber mais sobre isso” que acaba se tornando frustrante.

Por fim, o jogo tem certos momentos – com outros personagens – entre o conserto de uma máquina voadora e outra que me pareceram totalmente desconexos da história principal, aparentando ser somente uma demonstração de novas habilidades que Shane poderá usar do que propriamente algo com um propósito narrativo. Quando eu passei por essas cenas, tive a esperança de que, de alguma forma, o jogo amarrasse esses eventos com a história principal, o que acabou não ocorrendo.

Jogabilidade

A jogabilidade é simples, sendo um jogo em que você deve pegar um projeto de conserto de uma das naves, ver o que há que ser consertado (geralmente 3 ou 4 itens) e voar  para o próximo desafio.

Cada item quebrado de uma aeronave, no entanto, envolve a resolução de um puzzle para que possa ser reparado. Confesso que achei os desafios bem básicos e acredito que outras pessoas que por ventura sejam acostumadas com jogos de puzzles possam achar Hazel Sky pouco desafiador. Além dos puzzles tradicionais, o jogador pode se distrair buscando livros para leitura da história, partituras de violão e chaves para abrir cofres contendo colecionáveis.

Vale ressaltar que o jogo está em português, porém senti falta de uma legenda nas partes em que Shane toca uma música (cantada em inglês). Acredito que isso incluiria muitas pessoas que não detém o domínio do idioma.

Gráficos e sons

Antes de jogar o jogo, eu tinha visto as imagens do jogo na eShop e o trailer no canal oficial da Nintendo. Dessa forma, tinha ficado bastante surpreso com a qualidade gráfica do jogo. Contudo, ao ter o jogo nas mãos, o sentimento que tive foi um pouco de decepção. Muitos serrilhados e um cenário (lindo, diga-se de passagem) que perdeu bastante do brilho no port para o console nintendista. Além disso, apesar de não serem frequentes, tive alguns problemas com quedas bruscas de framerate que deram aquelas travadas desagradáveis.

Na versão portátil, por sua vez, o jogo fica mais bonito, razão pela qual acabei completando a aventura utilizando este modo. Contudo, alguns livros encontrados durante a jornada ficaram impossíveis de serem lidos, uma vez que a letra ficou extremamente pequena.

Com relação a parte artística de cenários, não há o que se falar. Ressalvada a perda gráfica descrita acima, gostei do design das ilhas, do cuidado com as coisas ali exibidas. Porém, no tocante aos modelos dos personagens, eles são um pouco estranhos e têm algumas expressões faciais que geram um certo desconforto.

Com relação a parte sonora, as músicas são boas e gostosas de se ouvir. Já os diálogos, muitas vezes percebi uma mudança de entonação entre uma frase e outra que tiraram a atenção minha atenção no que estava sendo dito, pois parecia que os personagens não estavam na mesma conversa.

Veredito

Hazel Sky é um jogo lindo, desenvolvido por um estúdio brasileiro. Infelizmente a versão do Nintendo Switch sofre com a queda gráfica, o que tira um pouco do brilho que a equipe de desenvolvimento teve na construção dos cenários do jogo. Além disso, o jogo falha em guiar o jogador pela história que ele se propôs a contar, fazendo com que alguns jogadores fiquem perdidos na narrativa, como foi o meu caso. Por fim, a dublagem deixa um pouco a desejar, apesar de não comprometer tanto a experiência.

Contudo, Hazel Sky é um jogo que tem um preço acessível no Switch. Por isso, tendo atenção às ressalvas feitas ao longo das linhas desta análise, recomendo este jogo para todos aqueles que buscam um título com uma história curta (cerca de 3-5 horas de jogo) e que gostem de aventuras focadas em quebra-cabeças menos desafiadores e que queiram.


Trailer do Jogo


* Esta análise foi escrita com um código enviado pelos produtores do jogo. 

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Tovar

Nintendista desde os 8-bits, pulei somente a geração GameCube (que recuperei com o Wii). Jogo em qualquer plataforma. Um fã de The Legend of Zelda, Donkey Kong, Mario, Mega Man, e de outros grandes nomes da indústria.