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[REVIEW] Neo: The World Ends With You – Uma continuação com bastante fan service

The World Ends With You foi um jogo lançado para o Nintendo DS em 2007, trazendo uma estética e mundo bastante parecida com Kingdom Hearts. O que não é de se estranhar, visto que Tetsuya Nomura é o produtor de ambos os títulos. Na época, eu não compreendia tanto o enredo até mesmo por causa da barreira do idioma inglês, por isso não consegui me sentir tão investido no game de forma geral. Então, a única coisa que relativamente me prendia era sua jogabilidade, que trazia pins com habilidades sobrenaturais para os personagens. Anos depois, um port foi feito para o mobile e para o Switch, obviamente com a limitação de tela única nas duas plataformas, o que causou um descontentamento nos fãs que pretendiam ter contato novamente com a obra.

Depois de muito tempo prometendo uma sequência, Nomura trouxe NEO: The World Ends With You, a continuação direta do TWEWY de 2007, e pudemos conferir em primeira mão o que o segundo jogo nos reserva.


Ficha Técnica

Título: NEO: The World Ends With You

Plataforma: Nintendo Switch

Data de lançamento: 27/07/2021

Tamanho: 6.3 GB

Desenvolvedora: SQUARE ENIX, h.a.n.d

Publicadora: SQUARE ENIX

Jogadores: 1

Em Português: Não

Gênero: Ação, RPG

Tempo de Jogo (em média): 45 horas

Save na Nuvem: Sim

Classificação: 14 anos


O Reaper’s Game

Action RPG

Assim como no primeiro game, em NEO: The World Ends With You estamos em um jogo chamado Reaper’s Game e, aqui, nosso objetivo é sobreviver até o sétimo dia. NEO é ambientado novamente em Shibuya, um distrito bastante conhecido de Tóquio, Japão. Desta vez, porém, no lugar de gráficos 2D temos um mundo feito completamente em 3D, mas que ainda traz os retratos dos personagens em sua forma bidimensional. Apesar de não ser um mundo aberto, o ambiente se divide em várias avenidas e quarteirões, sendo possível transitarmos entre um e outro após chegarmos à borda de uma área.

Nesta sequência, somos Rindo Kanade, que parece estar vivenciando apenas mais um dia normal com seu melhor amigo Tosai Furusawa, mais conhecido como Fret. A dupla estava andando pelas ruas de Shibuya até que um anúncio no telão da avenida central é feito, e uma misteriosa figura avisa que o Reaper’s Game acabara de ser iniciado. Após os eventos iniciais e uma estranha e repentina visão, Rindo e Fret percebem que estão aprisionados neste jogo e não conseguem nem mesmo pedir a ajuda de ninguém, já que parecem ser invisíveis para as pessoas. Portanto, sua única esperança é ganhar o Reaper ‘s Game, vencendo as outras equipes competidoras.

Assim como no primeiro TWEWY, aqui precisamos enfrentar criaturas conhecidas como Noises (ou ruídos, em tradução livre), que surgem ao pressionarmos R, para escanear o cenário e ver o que existe por ali na outra dimensão. Os Noises apresentam-se como ícones que representam algum de seus monstros animalescos, como um escorpião ou leão, por exemplo. Uma vez encostado no ícone (que persegue os personagens), podemos pressionar A para iniciar o combate, ou então permitir com que mais ícones venham até nós para criarmos um batalha sequencial que pode durar até 5 rounds.

Combate dinâmico e frenético

Groove power!

As mecânicas de combate são, sem dúvida, o ponto mais alto do jogo, e o estilo 3D somado à movimentação livre pelo cenário tornam as coisas completamente diferentes se comparadas ao primeiro TWEWY. Apesar de parecer inicialmente, Neo: The World Ends With You não é um “esmaga botão”, e exige bastante estratégia. Cada personagem utiliza um Pin para invocar seu poder, este sendo composto por uma habilidade passiva ou agressiva. Podemos apertar o comando até que seu uso se esgote, sendo necessário esperar o cooldown até o Pin recarregar para que possa ser usado novamente.

As batalhas são resolvidas sempre nesse ritmo similar, alternando entre os personagens e seus golpes. E isso é estimulado pelo próprio jogo, já que feedbacks visuais aparecem na tela simbolizando que habilitamos um combo, e alternar entre os membros da equipe neste momento faz com que o combo se mantenha e alimente a barra de Groove. Este último elemento é uma vantagem temporária, que aumenta o ataque da equipe toda durante alguns segundos. Quanto mais rapidamente resolvermos o conflito e menos danos sofrermos, maior nosso rank e Pins encontrados na contagem dos resultados.

Também existe um menu em que podemos aumentar ou diminuir a dificuldade do jogo, o que resulta em Noises mais fortes ou mais fracos, e maiores ou menores chances de encontrarmos Pins raros após vencer uma batalha. Propositalmente, também há o menu para diminuir o level da equipe, decrescendo drasticamente a barra de saúde dos personagens e, consequentemente, elevando a quantidade de Pins possíveis de serem adquiridos no final do combate.

Exploração de mundo e mecânicas secundárias

Puzzles e exploração
Puzzles e exploração

Fora as batalhas, é necessário que conversemos com NPCs pelas ruas de Shibuya, normalmente os chamados Reapers, que funcionam como uma espécie de juiz auxiliar do Reaper’s Game. Esses personagens concedem missões para que avancemos no jogo, como também tarefas e puzzles que vão nos dar respostas e liberar passagens trancadas.

Apesar da ambientação ser magnífica e realmente passar a sensação de estarmos em uma cidade do Japão, eu diria que a exploração é a parte mais maçante de Neo: The World Ends With You. Muitas missões são reaproveitadas e consistem em derrotar um número específico de Noises, sem falar em outras que abusam do backtracking de forma absurda. Um exemplo disso foi quando precisei ir atrás de um personagem identificando os locais de Shibuya em que ele tirava selfies com seu smartphone, porém, ao chegar no lugar, nosso objetivo nunca estava lá. Também é irritante o fato de que, em dado momento, o jogo tranca novamente locais que já havíamos habilitado, o que tira bastante a sensação de progresso adquirido até então.

Pensamentos

Mecânicas diferenciadas durante os momentos de exploração também estão presentes, e algumas são até divertidas e bem empregadas. A melhor de todas é uma chamada Imprint, que nos faz buscar palavras-chave de cor vermelha nos pensamentos de pessoas – ao pressionar o botão R do scanner – ao redor do cenário, para depois implantar em algum NPC específico para manipular a situação. Já outras são bem “qualquer coisa”, como a habilidade de Fret de relembrar pessoas de algumas memórias, ou de Nagi de “mergulhar” nas preocupações de NPCs – representadas por Noises – e entrar e batalhas.

Rindo também adquire a habilidade de voltar no tempo. Essa última mecânica podia ter sido muito melhor utilizada, mas é abusada constantemente no jogo para redefinir a linha temporal. Isso causa viagens constantes, permitindo com que possamos escolher em qual horário do dia queremos voltar – de forma bem linear, acredite. O maior problema é isso ser um artifício usado incessantemente até o fim do enredo.

Fora isso, existem lojas onde podemos adquirir peças de roupa que servem como equipamentos para os membros da equipe. Podemos equipar qualquer peça em qualquer personagem sem restrições, o que pode aumentar seu HP, força, defesa e causar efeitos diversos. Também podemos vender e comprar Pins aqui, além de trocar materiais encontrados durante a exploração por Pins raros, quase como um crafting. As lojas também fazem parte de um elemento chamado VIP, uma barra que é elevada e possui um indicador de level que é preenchido conforme fazemos compras nestes estabelecimentos.

Mecânicas secundárias

Adicionalmente, existe a mecânica de fome, que exige com que os personagens façam intervalos entre alguns combates para almoçar. Isso preenche a barra da fome de acordo com a quantidade de calorias do prato consumido, servindo para aumentar também o HP, força e defesa dos membros. Curiosamente, todos os personagens precisam pedir um prato cada, e não é possível apenas um deles comer sozinho.

No menu principal, encontramos uma aba com trilhas musicais que podem ser compradas em lojas de música para tocarmos ao “pausarmos” o jogo, o que não pode ser alternado entre uma playlist – e é uma pena porque a faixa acaba ficando repetitiva. Além disso, também há uma enciclopédia com os Noises que encontramos até então, além de uma área de informações sobre suas fraquezas em relação a Pins e elementos destes (fogo, escuridão, terra, etc).

Social network

Existe uma seção também de rede social, já que a história se passa em uma época contemporânea que tem os smartphones como algo bem presente no dia-a-dia. Neste menu, desbloqueamos habilidades e certos elementos in-game, como dificuldades adicionais e até mesmo Pins secundários para nos equipararmos nos personagens para usar em combate. Esses pontos são adquiridos conhecendo certos NPCs e cumprindo missões, enquanto muitos deles são liberados naturalmente conforme a história avança.

Além dos visuais, as músicas também são de altíssima qualidade por aqui. A trilha sonora é composta por vários estilos musicais, mas muito mais faixas de rock, com riffs de guitarra e algumas canções acompanhadas de um vocal gutural. Mesmo assim, existem músicas para todos os gostos. Não posso me esquecer também da dublagem, disponível tanto em inglês quanto em japonês. Ambas são muito bem feitas e convincentes, e ajudam a transmitir a amizade existente entre Rindo e Fret, além do carisma necessário para nos apegarmos a certos personagens.

Por fim, os fãs do primeiro jogo se sentirão muito bem servidos, pois Neo: The World Ends With You é recheado de fan service e traz até mesmo figuras do primeiro TWEWY. Para evitar spoilers, não entrarei em detalhes profundos.

Para fãs e novatos

Eat, fight and repEAT
Eat, fight and repEAT

Neo: The World Ends With You é algo bem melhor do que o primeiro na questão de jogabilidade, o que é auxiliado através de seus belíssimos gráficos 3D e trilha sonora incrível. Fãs do título anterior também ficarão malucos, já que muitas referências e reviravoltas brotam aqui e ali em diversos momentos, e isso até mesmo nas primeiras horas de jogatina.

Apesar do combate incrível, a exploração deixa um pouco a desejar por tentar reaproveitar vários cenários e, muitas vezes, quebrar a sensação de progresso que tivemos ao bloquear novamente locais já liberados. Mesmo assim, outros locais são abertos posteriormente, mas é algo que demora bastante para acontecer – cerca de 15 horas. As missões acabam se repetindo bastante também conforme o enredo avança, além de existirem algumas que são extremamente frustrantes.

Alguns puzzles são divertidos

Finalmente, mecânicas secundárias são bastante abusadas e utilizadas de forma incessante, além de não serem tão bem executadas, o que passa a impressão de que tentaram “fazer muito com pouca coisa”. Entretanto, muitos puzzles são divertidos e conseguem quebrar a expectativa e o ritmo de forma positiva, fazendo o jogador sentir-se inteligente ao conseguir resolver algum quebra-cabeça que parecia complexo e apresentou uma solução mais simples do que parecia.

A duração da sequência de TWEWY também soa um pouco como arrastada em termos de história, já que coisas mais interessantes acabam surgindo do meio para o final do jogo, e até lá cerca de 15 ou 20 horas já se passaram. Neo: The World Ends With You é um game bem comprido, com cerca de 45 a 50 horas para ser terminado. Mesmo assim, nem sempre mais tempo de duração é algo positivo, mas vale dizer a quantidade de tempo que você estará recebendo pelo preço cheio pago – o que talvez fale mais alto no seu coração.

Por último e não menos importante, espero que um patch possa corrigir o framerate, já que dentro de batalhas e durante a exploração em Shibuya tudo fica na casa dos 60 fps. Porém, ao ativarmos o scanner, o que precisa ser feito constantemente, tudo cai para 30 por causa da quantidade de elementos que surgem na tela, além de que os comandos ficam menos responsivos. Não é algo que compromete tanto a experiência, mas frustra já que a performance decai pela metade.


Trailer do Jogo


* Este review foi feito utilizando uma chave fornecida pela Square Enix

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Jason Ming Hong

Gamer desde o 1 ano de idade segundo meus pais. Jogo de tudo, porque o importante pra mim em um jogo é divertir. Gosto de jogos com uma boa história, investimento em gameplay sólido e, se rolar, um co-op de sofá. Também sou UX/UI designer, aquela galera moderninha que faz coisas pensando em quem vai usar. Aliás, agora edito o POWdcast, RÁ!

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