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[REVIEW] Sludge Life – Estranhamente bizarro e divertido

O que acontece se um jogo misturar desafios de plataforma, jogabilidade em primeira pessoa, vandalismo e pichação com um mundo aberto grotesco, bizarro e sem sentido, sem nenhuma explicação ou objetivo prévio? É assim que pode parecer Sludge Life, um indie brasileiro em parceria com o rapper Doseone, mas existem muitas coisas por trás que o tornam o que ele é. Vamos descobrir nessa análise.


Ficha Técnica

Título: Sludge Life

Plataforma: Nintendo Switch

Data de Lançamento: 02/06/2021

Tamanho: 735 mb

Desenvolvedora: Terri Vellmann/Doseone

Publicadora: Devolver

Jogadores: 1

Save na nuvem: Sim

Em português: Sim

Gênero: Aventura, Plataforma, Primeira pessoa

Preço no Lançamento (BR): R$ 76,45

Preço no Lançamento (US): US$ 14,99


 

Um estranho mundo jogável

É difícil pensar em um enredo para Sludge Life, pois, basicamente, ele não possui. Não existe uma narrativa, não existe algum avanço, eventos na história ou algo do tipo. Aqui os personagens existentes se limitam a falar sobre aquele mundo, o que está acontecendo ou somente coisas aleatórias e malucas. E isso é feito de uma forma muito interessante, pois o jogador começa a ter curiosidade para entender o que está acontecendo.

O jogo se passa em uma cidade erguida no esgoto, sendo que as construções são sempre acima dele, como uma espécie de Veneza do lixão. O comércio, hospital e todas as empresas pertencem a mesma mega-corporação, a Glug, que também é responsável por jogar todo o esgoto na cidade.

Os NPCs, as construções e a bagunça da cidade deixam bem claro o caos que está ocorrendo, por meio da destruição do cenário e principalmente as bizarrices do jogo, mostrando que, de fato, existe alguma coisa bem errada por trás. É como se, convivendo na poluição e sujeira, as pessoas se acostumaram e não se importam mais com elas mesmas, com os outros ao seu redor e com o ambiente que estão, de forma que o individualismo, em seu aspecto mais nojento, impera naquele mundo. Porém, Sludge Life ocorre enquanto os trabalhadores estão de greve por causa da sujeira em todos os âmbitos da Glug, o que demonstra que ainda existem algumas pessoas mais conscientes.

O objetivo de Ghost, o personagem jogável, é vandalizar por meio da pichação em 100 pontos no mapa do jogo. Os pontos não estão definidos, mas explorando os cenários é possível conseguir alguns itens que ajudam no processo, como uma câmera que indica os locais que podem ser pichados.

Por falar na exploração, ela não se limita a somente ir e vir em lugares variados, mas é necessário conversar com os NPCs, que às vezes dão dicas sobre equipamentos importantes, como acessar algumas áreas e locais de pichação.

O jogo, além de ser em primeira pessoa, possui também vários desafios de plataforma, em que Ghost deve escalar, pular e tentar alcançar lugares para conseguir pichar. Mais ou menos como ocorre no mundo real, pois sempre existe o questionamento de como o vândalo conseguiu alcançar determinado ponto para pichar; e Ghost faz a mesma coisa, alcançando lugares quase impossíveis.

Visual e aspectos sonoros

A bizarrice de Sludge Life é muito bem representada pelas cores fortes e cenários variados. Os personagens fazem parte do mesmo pacote, pois são bem individuais, coisa notável também nos diálogos.

Um dos melhores aspectos do jogo são suas imagens, pois representam a bizarrice do jogo como um todo de uma forma espetacular, seja nas construções, nas criaturas, nos personagens e no ambiente como um todo. Tudo no jogo parece que não deveria estar onde está, não como um demérito, mas sim para indicar a bagunça que é aquele mundo. A única coisa que parece se encaixar, no entanto, são as pichações de Ghost e seus amigos, que são artes sensacionais.

Ajudando a somar ainda mais na ambientação com o jogo, todo o trabalho sonoro faz o jogador mergulhar a fundo naquele universo caótico. Alguns sons representam a repulsa que o jogo passa, além de outros barulhos que o tornam mais bizarro ainda. Além disso, a única coisa que também parece estar certa lá é a trilha sonora.

As músicas, compostas por Doseone, um rapper que também compôs as trilhas de outros jogos da Devolver, como Enter the Gungeon e Disc Room, encaixam perfeitamente no jogo e ainda são ótimas para serem ouvidas fora daquele mundo caótico. Em muitos momentos existem aparelhos de som tocando suas músicas.

Sludge Life possui alguns filtros que tornam seu visual bem pesado, que são a Tela de VHS (como os antigos filmes em fita cassete) e a visão olho de peixe, além da movimentação bizarra da tela de menus. O jogo inicia e, como um soco na cara, já recebe o jogador com aquele o tremelique característico de VHS, que se torna mais bizarro ainda por estar rodando em 720p ou 1080p. Felizmente, esses filtros podem ser desativados facilmente a qualquer momento.

Veredito

Sludge Life é um jogo divertido. Explorar, pular, passar por janelas, escalar construções e se enfiar em cantos estranhos para vandalizar a construção de um empresário bilionário que conquistou tudo por meio da exploração de pessoas e do meio ambiente é, no fim de tudo, muito gratificante.

O jogo possui muitos pequenos prêmios para o jogador que explora e quer conhecer, pois, além da pichação, existem alguns desbloqueáveis secretos que são um show visual e sonoro. O mundo é muito bem conectado e a confusão inicial que causa no início é algo proposital, que faz parte da experiência de Sludge Life.

Um aspecto negativo, entretanto, é uma das coisas que dá mérito ao jogo: a bizarrice. Apesar de fazer parte desse universo caótico, a extrema estranheza é muito pesada e cansa rapidamente o jogador. Entretanto, por ser um jogo curto, o saldo é positivo principalmente pela jogabilidade e exploração bem recompensada. Os filtros de olho de peixe e tela de VHS, se não pudessem ser desativados, seriam o principal ponto negativo do jogo.

Recomendo Sludge Life para quem gosta de vandalizar grandes corporações, de jogos de plataforma em primeira pessoa e de coisas bizarras em geral. Não recomendo ele para pessoas de estômago fraco.

E aí, tem interesse no jogo? Ficou curioso? Já pichou alguma construção? Deixe sua opinião nos comentários


Trailer do jogo


* Esta análise foi escrita usando uma chave fornecida pelos desenvolvedores.

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Kiefer Kawakami

Sobre mim: Amante dos games, acredito que eles podem mudar a vida das pessoas e fazê-las mais felizes, bem como aconteceu comigo. Possuo um amor incondicional pela Nintendo desde Donkey Kong Country e Super Metroid. Sou multidisciplinar e sei pouco sobre muita coisa, mas o suficiente para relacionar assuntos distintos. Além disso, quero divulgar os games para que as pessoas vejam a maravilha que são e podem ser.