Famicom Detective Club é um Remake dos jogos de investigação lançados originalmente para o Famicom Disk System. A Nintendo pegou todo mundo de surpresa quando anunciou as novas versões dos dois jogos originais The Girl Who Stands Behind e o The Missing Heir que até então só haviam sido lançados no Japão. E a nossa análise de hoje vai contemplar os dois jogos, que funcionam de maneira isolada, mas estão relacionados entre si.

Esse post foi escrito a quatro mãos, sendo que o The Missing Heir foi analisado pelo Rodrigo Reche e o The Girl Who Stands Behind pelo Tovar.

The Missing Heir, apesar de ter sido lançado primeiro, se passa cronologicamente após The Girl Who Stands Behind e conta com os mesmos personagens principais: o jovem investigador sem nome definido (que representa o jogador), a Ayumi como sua parceira e a famosa agência de detetives Utsugi. O caso a ser investigado gira em torno de uma investigação sobre a morte da matriarca da família Ayashiro.

Já em The Girl Who Stands Behind, uma garota aparece morta e o nosso detetive (ainda um jovem) é designado para investigar o caso. Durante a investigação, nosso detetive descobre uma estranha relação com uma fantasma que aparece nas escolas. Não! Não é a loira do banheiro!


Ficha Técnica

Título: Famicom Detective Club™: The Girl Who Stands Behind & The Missing Heir

Plataforma: Nintendo Switch

Data de lançamento: 14/05/2021

Tamanho: 3.5 GB para os dois jogos

Desenvolvedora/Publicadora: Nintendo

Jogadores: 1

Em Português: Não

Gênero: Investigação, Aventura, Visual Novel

Tempo de Jogo (em média): 7 horas por jogo

Save na Nuvem: Sim

Classificação: 12 anos


História

Em The Missing Heir, após despertar de um aparente acidente e sem se lembrar de absolutamente nada, o jovem detetive (representado sempre pelo jogador) é resgatado por um completo desconhecido. Após muita conversa e uma rápida investigação no local do acidente encontramos Ayumi, nossa colega de trabalho na agência de detetives Utsugi e somos introduzidos ao caso a ser investigado, o misterioso falecimento da Sra. Kiku Ayashiro. O desenrolar da investigação acontece toda na propriedade da família, sem muitas interações com outros cenários.

Repleto de testemunhas, suspeitos e uma vasta propriedade para explorar o enredo se desenrola com os mais conhecidos clichês das histórias de detetives. Obviamente não vamos entrar em detalhes sobre o enredo de nenhum dos dois jogos para não dar nenhum spoiler, mas pode esperar por momentos de mistérios, tensão e muitas reviravoltas.

Já em The Girl Who Statns Behind, a história gira em torno do mesmo protagonista do jogo antecessor (The Missing Heir), sendo este uma prequel. Neste caso, o nosso detetive tem apenas 15 anos e somos apresentados a um de seus primeiros casos: o assassinato da jovem Yoko Kojima.

A investigação vai ganhando contornos sobrenaturais a medida em que o suposto homicídio  começa a se relacionar com uma lenda escolar de uma garota-fantasma sangrenta que aparece atrás dos alunos (que dá origem ao nome The Girl Who Stands Behind).

Você deverá interrogar suspeitos e fazer deduções até chegar à elucidação do caso.

Infelizmente ambos os jogo estão somente em inglês, o que exige um bom vocabulário no idioma para entendimento da trama.

Jogabilidade

Os jogos são no formato visual novel em que a história é contada de forma bem linear. As tramas são divididas em capítulos e, em cada um deles, você deve – primordialmente – interrogar pessoas e suspeitos de forma a obter informações que te ajudem a entender as motivações e desvendar os casos.

Além de perguntas, o jogador possui algumas ações que pode executar: chamar outros suspeitos/pessoas para interrogatório; pensar sobre um conjunto de informações que acabou de receber; pegar objetos ou itens no cenário; e mostrar determinado item a alguém.

Quando se obtém todas as informações disponíveis em um capítulo, chega-se ao final do dia e é hora de especular acerca de todos os elementos de provas que confeccionamos.

A jogabilidade em si é bem simples e não gera maiores problemas. Porém, senti falta de uma lógica na execução das ações. Muitas vezes você tem que ficar perguntando a mesma coisa para uma pessoa para que ela dê a informação completa; outras vezes (a grande maioria do tempo) ficamos sem ideia do que fazer e o jogo vira uma navegação exaustiva pelas opções do menu até que o jogador encontre a ação que desencadeia a próxima informação relevante para o caso.

Essa mecânica acaba sendo bastante desestimulante e prejudica demais a experiência. Um tipo de solução para esse caso seria uma atualização do sistema da ação de “pensar” para oferecer alguma dica sobre o que está faltando você interrogar. Não seria algo direto como, por exemplo, “pergunte tal coisa”, mas poderia oferecer um pensamento do tipo “eu preciso descobrir mais coisas sobre o fato XYZ”. Dicas indiretas já ajudariam a ter uma experiência muito mais agradável.

Além disso, faz falta uma simples opção de poder ajustar a velocidade do cursor durante a exploração dos cenários; a movimentação é lenta e explorar cenários abertos acaba levando mais tempo do que deveria.

Gráficos e Sons

Esses dois quesitos nos jogos estão impecáveis.

Graficamente os jogos contam com traços muito bem feitos e os cenários são muito detalhados. Todas as cenas são agradáveis e mostram um ótimo trabalho da equipe de desenvolvimento.

A dublagem do jogo também é boa, apesar de contar apenas com dublagem em japonês. As músicas também são excelentes,  existindo alguns momentos memoráveis de troca de música quando você obtém uma informação relevante para o caso, o que te faz prestar ainda mais atenção no diálogo que está por vir.

O único ponto negativo é que por algumas vezes durante a evolução da ação o som sofre pequenas interrupções como se o Nintendo Switch estivesse “sofrendo” para rodar o jogo, o que claramente não é o caso. Uma atualização futura pode resolver esse que parece ser um problema de otimização, mas isso em nenhum momento atrapalha a experiência.

Veredito

Famicom Detective Club apresenta dois remakes muito bem feitos, mas com ressalvas. Os maiores avanços foram em quesitos gráficos e sonoros, mas faltou uma atualização da jogabilidade para tornar a experiência mais fluida ou – tendo em vista a falta de lógica em alguns momentos entre o diálogo e a ação exigida – oferecer meios de auxiliar o jogador a entender o que o jogo deseja que ele faça.

Essa constante quebra de ritmo por causa da procura pela opção correta no menu acaba tirando a fluidez e imersão que uma Visual Novel exige. Contudo, as histórias são muito boas e devem entreter as pessoas, mesmo com os problemas descritos ao longo desta análise.

Dito isso, acreditamos que este seja um título mais indicado aos que já são fãs de Visual Novels e que estão sem opções no mercado. Para aqueles que não são familiarizados, recomendamos cautela, pois a jogabilidade deste título pode ser cansativa. Nesse caso, existem no mercado outros títulos do gênero que gozam de maior fluidez e refinamento das mecânicas, como, por exemplo, o fantástico 999: 9 Hours, 9 Persons, 9 Doors.

Por fim, se você for se aventurar nesse mistério, atente-se ao fato do idioma e divirta-se, pois a história é realmente muito boa e te fará pensar do início ao fim do mistério.


Trailer


*Esta análise foi escrita utilizando uma chave fornecida pela Nintendo