Uma tropa de elite, que é osso duro de roer, deve enfrentar um poderoso exército alemão para ajudar o Eixo a vencer a guerra. Mas será que missão dada é missão cumprida? Confira no review abaixo.


Ficha Técnica

Título: Commandos 2 HD Remaster

Plataforma: Nintendo Switch

Data de Lançamento: 04/12/2020

Tamanho: 2.0GB

Desenvolvedores: Pyro Studios/Yippee! Entertainment

Publicadora: KalypsoMediaGroup

Jogadores: 1

Save na nuvem: Sim

Em português: Não

Gênero: Tática em Tempo Real

Preço no Lançamento (US): US$ 29,99


Sobre o Jogo

Criada pela Pyro Studios, Commandos é uma das franquias clássicas de jogos de PC que marcou uma geração de jogadores da década de 90 e do início dos anos 2000.

A importância de Commandos para indústria é tanta que ainda hoje jogos são lançados sendo comumente referenciados como “estilo Commandos”. Recentemente joguei dois destes títulos: os excelentes Shadow Tactics e Desperados 3, ambos da Mimimi Games. Infelizmente, por enquanto não temos nenhum desses dois exemplos no Switch.

Portanto, esta franquia merece respeito pela sua importância histórica, pela concepção e pela consolidação (mesmo que sendo de nicho) de um gênero.

Commandos 2 HD Remaster traz o segundo jogo da franquia em sua versão melhorada, contando com gráficos HD (melhor analisado em um tópico específico) e com controles reprojetados para sua adaptação aos consoles de mesa.

Jogabilidade Problemática

O jogador controla um grupo de soldados elite que tem o objetivo de invadir bases inimigas sem ser detectado. Por isso, atuar no stealth é essencial para conseguir sucesso em cada uma das missões, pois a menor falha pode te fazer ficar cercado por inimigos e ser eliminado.

São vários personagens controláveis a depender de cada missão, sendo que cada um deles tem uma habilidade específica. Temos o Boina Verde (força bruta), um sniper, um motorista, um especialista em explosivos e armas, entre outros. O desafio é tentar descobrir a melhor forma de utilizar cada um deles (às vezes utilizando até mais de um) para eliminar os soldados das forças inimigas. É o poder do silêncio e da furtividade versus o poder de fogo.

Se um inimigo te ver ou te escutar, chamará reforços e sua vida pode ficar bem complicada. Porém, deslizes são absolutamente normais de acontecer, pois é um jogo extremamente difícil e a dinâmica de tentativa e erro é bem presente no gameplay. Contudo, para minimizar os efeitos punitivos de suas falhas, é possível salvar o progresso a qualquer momento e evitar que seja obrigado a refazer um grande número de ações, mas esse salvamento deve ser feito de forma manual, pois não há um processo automático.

Todavia, como dito anteriormente, este jogo foi originalmente lançado e pensado exclusivamente para PC, sendo que seus controles originais eram com teclado (definição de qual ação seria executada) e mouse (realizava a ação escolhida). Entretanto, a equipe de desenvolvimento teve que pensar em formas de adaptar essa jogabilidade para o lançamento em consoles.

O fato é que poucos jogos conseguiram superar essa barreira de adaptar modalidades de controle tão distintas (Diablo 3 é um dos belos exemplos que me recordo). Infelizmente, Commandos 2 HD Remaster falha justamente onde não poderia falhar: nos comandos (perdoem o trocadilho). E como mencionado no início desta análise, temos excelentes exemplos de jogos atuais que beberam muito da fonte da franquia e que são extremamente competentes na implementação de seus controles.

Um dos problemas cruciais é que o jogo exige constantemente a alternância entre os personagens disponíveis na missão, e essa seleção é bem confusa e é possível se perder muito facilmente no processo. Selecionar mais de um personagem para executar ações então, é algo desanimador.

Uma das árduas tarefas que os controles nos submetem: selecionar vários personagens.

Além disso, a seleção de ações e itens é burocrática e acaba desencorajando a utilização de todas as possibilidades que o jogo oferece. E para piorar, há determinadas operações que, para serem ativadas, dependem de uma proximidade do personagem escolhido com inimigos ou objetos, e muitas vezes o jogo se perde em disponibilizá-las para o jogador. Por exemplo: quer nocautear um inimigo? Tem que chegar perto dele e, na maioria das vezes, torcer para que a ação fique disponível (botão ZR) para ser usada. E qualquer tempo a mais que o jogador perde pode ativar o alerta da base inimiga, o que é bem frustrante.

Nesta imagem, levei um bom tempo para posicionar o personagem de forma a aparecer a opção de subir no telhado (apertando o botão A).

Um outro problema que o jogo enfrenta é a ausência de tutoriais. Na primeira missão de treinamento você é apresentado para uma tela cheia de textos para você decorar, mas não tem um level design que conduza o jogador para um aprendizado. Nem os personagens nem as suas habilidades são apresentados.

Porém, você deve estar pensando: “naquela época não tínhamos tutorial para tudo”. E até certo ponto você tem razão! Mas na época em que Commandos foi lançado tínhamos manuais que vinham junto com os jogos dando um detalhamento sobre as ações, personagens e tudo que o jogador precisaria saber para ter sucesso em sua aventura. Aqui não há nada parecido.

Outro problema é o controle da câmera, que apenas se movimenta para quatro pontos de perspectiva específicos. Não é uma câmera 360º, como estamos acostumados atualmente. Porém, por se tratar de um remaster e por ser um retrato de uma época, esta mecânica se torna compreensível.

Os quatro ângulos de câmera disponíveis.

Gráficos e sons

Graficamente o jogo não é uma maravilha, mas também não é ruim. O jogo original já tinha cenários bonitos e bem trabalhados, porém com texturas e resoluções baixíssimas. Então, o remaster em HD veio para atualizar algo que já era bonito antigamente.

Contudo, nesta nova versão, ainda é possível perceber diversos serrilhados e, além disso, alguns objetos do cenário estão inexplicavelmente borrados o que, em alguns momentos, fazem parecer que eles não pertencem àquele mundo.

Outra diferença desta nova versão é que as bandeiras nazistas foram removidas do jogo para atender a uma Lei da Alemanha que proíbe a utilização de símbolos nazistas.

Um ponto bastante negativo são os avatares animados dos personagens que têm expressões que, em determinados momentos, se tornam tenebrosas e bizarras. A versão original contava com personagens caricatos e divertidos, mas essa versão remaster os deixou extremamente esquisitos.

Um outro aspecto a se considerar é que está muito complicado jogar no modo portátil. Tudo fica extremamente pequeno e, por diversas vezes, fica difícil até para o jogador se achar no mapa.

Os efeitos sonoros também estão com problemas na sua execução. Existem sons (ex: tiros) que estão inaudíveis. Um outro exemplo é que, quando o inimigo te detecta, nada é reproduzido de forma a você saber que você foi descoberto.

Veredito

Eu gostaria de chegar ao final deste review e dizer: “Commandos 2 HD Remaster é um ótimo jogo e resgata toda a glória de uma franquia importante para os videogames”. Porém, não é possível dizer isso. Ele tem tantos problemas de adaptação que se torna complicado ter uma boa experiência com o game.

Commandos 2 em si é um excelente jogo de estratégia e sempre será, apesar de ter certos elementos que demonstram o peso de 20 anos de evolução dos games. Contudo, o port para os consoles de mesa sofreu muito com a adaptação de jogabilidade e, em vez de prestar uma homenagem aos seus jogos, acaba por arranhar a imagem da franquia e falha ao apresentá-la para novos jogadores. E para os jogadores antigos o gosto deixado pode ser ainda mais amargo, pois infelizmente somente o efeito da nostalgia não é capaz de superar todos os problemas apresentados nesta adaptação.

E você? Já jogou? Sente vontade de jogar? Deixe suas opiniões nos comentários.


Trailer do Jogo


*Esta análise foi escrita utilizando uma chave fornecida pelos produtores