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Review: Nintendo Switch

Um console com tantas desconfianças e opiniões diversas, assim o Nintendo Switch foi visto desde o seu anúncio e, mesmo com o sucesso de vendas nos primeiros 6 meses de vida, ainda está longe de garantirmos o console como um sucesso. A Nintendo apresentou o Switch no dia 13 de Janeiro de 2017, anunciando The Legend of Zelda: Breath of the Wild também para o console, 1-2 Switch, Super Bomberman R, Splatoon 2, Arms e prometendo muitos jogos thirds durante a vida do Switch, mas o grande destaque foi os Joy-Cons e a possibilidade de ter um console que serviria como local ou portátil – mesmo correndo o risco de ser nenhum dos dois; o Nintendo Switch Online, novo serviço online pago, e o fim da trava de região também foram anunciados. O Switch chegou às lojas no dia 3 de Março de 2017 por U$299, teve 2,5 milhões de unidades vendidas no seu primeiro mês e no fim de Junho, no último relatório da Nintendo, já haviam sido enviados 4,7 milhões de unidades para as lojas.

Houveram apenas dois bundles de estreia do Nintendo Switch, o Gray (Joy-Cons cinza) e o Neon (um Joy-Con azul e um vermelho), o desempenho da tela e da GPU são os mesmos. Além da tela e dos Joy-Cons, o pacote também inclui um grip, onde é possível encaixar os Joy-Cons e usá-lo como um controle mais tradicional, um dock, que possibilita a ligação do console com a TV, e Straps para melhorar a pegada na hora de usar os Joy-Cons desencaixados – contendo todos os cabos para as ligações dos componentes. Bundles de Splatoon 2 e Super Mario Odyssey são alguns dos pacotes temáticos do Nintendo Switch.

A primeira impressão que temos com o console é diferente de qualquer outro, já que o Switch não segue os moldes de ser uma caixa fechada com um controle, isso pode assustar no começo mas a adaptação é bem rápida. Ao abrir a caixa percebemos o quanto a tela e os Joy-Cons são pequenos, o corpo todo de plástico (inclusive a tela) passa a sensação de fragilidade e a obrigação de sair da loja já com uma boa película; o Stand, apoio que mantém a tela em pé, parece que será quebrado assim que usarmos, mas o material aguenta bem para o que lhe é proposto. Os Joy-Cons, quando utilizados como controles individuais, passam a sensação de desconforto e mostram que foram pensados para jogatinas casuais, porém o HD Rumble e a pegada com uma mão surpreendem positivamente. Logo de cara o grip passa a sensação de ser um material de baixa qualidade, mas com o tempo percebemos o quanto ele é útil e faz o seu papel de controle tradicional, quebrando um galho para quem não tem condições de levar um Pro Controller junto com o console, mas a maior mancada da Nintendo com o grip é não ter a possibilidade de carregar os Joy-Cons quando encaixados nele – e vender o Charging Grip separadamente por U$30. O dock, que parecia ser o componente mais interessante, é só uma caixa de plástico com 3 entradas USB (uma delas 3.0), uma entrada HDMI e uma entrada para a fonte, o dock apenas transmite a imagem da tela e libera, mesmo sem nenhum componente físico para isso, um modo “mais potente” do Switch.

Hardware

O desempenho é totalmente dependente de um problema da portabilidade: a bateria. Ter um “limitador” no tempo de uso, sendo obrigado a manter o videogame (e os controles) sempre carregados, influencia na experiência com o Switch, mesmo que esse problema seja uma consequência natural da portabilidade que o console oferece. Esse tempo limite depende do jogo que está sendo rodado, com Zelda, um dos jogos que mais exigem do Switch, o tempo de jogo chega a 3h30min até a bateria se esgotar, mas já consegui jogar Splatoon 2 (conectado na internet) por 5 horas seguidas, para muitos esse tempo é o suficiente para se divertir sem parar, porém há problemas com a bateria dos Joy-Cons também e você pode ter que parar a jogatina mesmo com o console no dock. Imagina chegar em casa no meio da luta contra o Ganon e com a bateria dos controles no fim, se você não tiver um Charging Grip ou um Pro Controller, Hyrule terá que esperar uns minutos para ser salva, isso acontece porque os Joy-Cons só podem ser carregados quando acoplados na tela e não há outras opções entre os itens que vêm com o console. Esse quesito é importante para aqueles que pretendem manter o Switch longe de uma tomada por muito tempo, ainda não há recomendações de carregadores portáteis pela Nintendo, mas esse produto não deve demorar para sair.

Com o Switch não foi diferente da maioria dos hardwares, houveram alguns problemas em seu lançamento. Um dos casos mais famosos foi da perda de conexão do Joy-Con esquerdo quando era usado longe do Switch, o problema não era a distância porque o outro controle funcionava normalmente. A Nintendo corrigiu o defeito nos lotes posteriores, hoje é raro ver consoles novos que apresentam essa falha, e os antigos que tiveram essa “sorte” conseguiram o reparo do controle ou até a troca do aparelho através da garantia. Riscos na tela causados pelo dock e manchas nos Joy-Cons foram outros problemas relatados, mas isso está muito mais ligado ao mau uso do que um problema de fábrica do console, por isso é sempre bom prevenir com película, capinha e até uma proteção para o dock (e não usar o seu Switch como se fosse uma tábua para amaciar carne).

Uma das especificações do hardware que ainda causa muita polêmica é o armazenamento interno, que pode parecer desanimador ao compararmos com o PS4 ou Xbox One, mas há motivos para essa escolha. Se tem uma característica que a Nintendo não evoluiu do Wii U foi o espaço em disco, o Switch vem com 32GB (7GB para o sistema operacional), a mesma capacidade da versão Deluxe do console anterior. Quando comparamos com PS4 e Xbox One (500GB na versão mais básica), a desvantagem do console da Nintendo é enorme, mas, por outro lado, seria possível carregar 500GB de jogos da Sony e Microsoft dentro da mochila para qualquer lugar? Claro que 32GB não é o ideal para um videogame, mas a única ligação entre o Switch e seus “concorrentes” são os jogos com versões para ambas as plataformas. Outro ponto a favor da Big N é a otimização do tamanho de seus jogos, conseguindo colocar 150h de jogo de Breath of the Wild em apenas 13.8GB ou todos os lindos mundos de Super Mario Odyssey em 5.7GB, enquanto isso temos NBA 2K18 com 22GB e Resident Evil Revelations 2 com 26GB – esses dois exigem um cartão SD, o Switch suporta cartões de até 2TB.

Todos esses pontos são importantes, mas a característica principal quando falamos do hardware de um console é o desempenho ao rodar os jogos. O Switch conta com os seguintes componentes:

  • Processador: Nvidia customizado
  • Tela: Touch Screen capacitiva, LCD 6.2″
  • Bateria: Lithium-ion de 4310 mAh, duração de 2h30min a 6h, tempo de recarga em 3h através de USB-Tipo C
  • Áudio: Alto-falantes e entrada de fone com som estéreo
  • Vídeo: resolução de 1280×720 (portátil) e 1920×1080 (dock), suporte para até 60fps
  • Sensores: Acelerômetro, Giroscópio e sensor de brilho
  • Armazenamento: 32GB interno (7GB para o sistema) e suporte para cartões SD de até 2TB

Você confere mais detalhes aqui.

Por causa do tamanho da tela e a necessidade de um desempenho satisfatório da bateria, criou-se um “padrão” de 720p e 30fps para os jogos no modo portátil, alguns títulos (Doom, por exemplo) seguem essas especificações para o dock, visando otimizar também o tamanho do jogo. Entre os jogos first party, podemos ter como exemplo Zelda Breath of the Wild, que roda a 900p no dock e sofre com queda de frames em determinados pontos, sendo o único título que apresentou esse problema de forma mais notável (mas ainda sem interferir na jogatina). Ser o maior jogo do Switch até o momento não é o único motivo que justifica essa pequena perda de desempenho, mas também pelo fato do jogo ser portado do Wii U e ter todo seu desenvolvimento pensado para rodar em um hardware inferior; Mario Kart 8 e Splatoon 2 atingem 1080p e 60fps na TV. A necessidade de uma adaptação para o console é a grande desvantagem do Switch quando falamos de thirds, alguns títulos como Final Fantasy XV, que foi lançado em 2016 e exige um poder de hardware considerável, ainda não encontraram uma forma de rodar bem no console da Nintendo e isso pode influenciar na chegada de novos títulos AAA. Em 6 meses no mercado, o maior número de jogos thirds foram portados para o Switch, mas algumas empresas, como Bethesda e Rockstar, não devem demorar muito para dar um apoio massivo ao Switch.

Software

Assim como o hardware e a ideia do console, algo que mudou consideravelmente mas que ainda faltam recursos importantes é o software. O Nintendo Switch vem com um sistema operacional baseado em Android e bem mais clean que a versão do Wii U, sem aplicativos próprios da Big N, como o Miiverse, e sem recursos que fazem falta, como um Navegador de Internet e os aplicativos Netflix e Youtube (que chegarão em breve). As opções visuais estão restritas em apenas alterar o brilho da tela e mudar a cor predominante no sistema (preto ou branco), ainda não há suporte para temas personalizados como existe no 3DS. Uma das poucas funcionalidades herdadas do Wii U foi o Criador de Mii, que chega para o Switch com mais opções de criação e a possibilidade de usar ícones de personagens Nintendo na foto de perfil; o app News é uma das poucas ferramentas exclusivas do console. Funcionalidades básicas de sistema como Modo de Espera, Gerenciamento de Dados e suporte para múltiplos perfis também estão presentes.

Mesmo sem nenhuma grande novidade, quando comparamos ao Wii U, há alguma evolução no sistema do Switch. Um dos poucos recursos que faziam falta no Wii U de forma nativa agora chegou ao Switch: a possibilidade de tirar foto da tela, editar e compartilhar em redes sociais como Twitter e Facebook, parece uma função simples e dispensável, mas essa mudança pode aumentar a chance de novas ferramentas para o Switch. A função de gravação foi inserida através de uma atualização, limitada a 30 segundos, oferecendo suporte para edição e compartilhamento no Facebook e Twitter e, até a publicação desse post, disponível apenas em The Legend of Zelda Breath of the Wild, Mario Kart 8 Deluxe, Arms, Splatoon 2 e Super Mario Odyssey.

Um dos aplicativos que não pode faltar e merece toda atenção no sistema é a eShop, que mudou novamente no Switch. A loja no console parece estar em constante desenvolvimento, já que apresenta apenas as funções básicas, como a barra de pesquisa e menus de Jogos mais vendidos, Lançamentos, Jogos em promoção e Jogos que chegarão em breve. O catálogo mais enxuto e o design simples tornam o uso da eShop mais agradável do que lojas como PSN e Live, a velocidade de download e rapidez no carregamento de imagens também são um pouco mais satisfatórias no Switch, isso devido a leveza dos jogos e aplicativos. A falta de uma eShop nacional é a grande barreira para os brasileiros, é possível utilizar uma conta BR no Switch, mas a loja precisa ser de outro país, restringindo as formas de pagamento em cartões de crédito internacionais, Paypal e cartões pré-pagos. No Switch a eShop se expandiu, isso devido a retirada do bloqueio de região, sendo possível acessar a loja americana, européia e japonesa, além de poder trocar os países e aproveitar o melhor preço de cada jogo – nesse post damos uma dica para economizar na eShop.

O presente e o futuro

Ainda não dá pra prever quanto tempo o Switch se manterá em alta no mercado, mas o primeiro ano do console não poderia ser melhor – considerando que Super Mario Odyssey sustentará esse interesse até o começo de 2018. A Nintendo apostou alto (e certo) lançando um Zelda e um Mario no mesmo ano para o mesmo console, isso trouxe muitos daqueles que estavam distantes da Big N há algum tempo e tornou o Switch obrigatório para os fãs dessas franquias – sem contar que ainda teremos Metroid Prime, Pokémon, Kirby, Shin Megami Tensei e Fire Emblem. Os indies encontraram um lar no Switch e as thirds ainda esbarram no hardware mais fraco, mas daqui a algum tempo, mantendo esse ritmo, versões desses jogos para o Switch serão indispensáveis.

O Switch ainda não é uma unanimidade, talvez o PS4 seja o console mais adequado para quem busca um videogame de mesa, e um 3DS tenha mais conteúdo para um portátil, mas eles conseguem fazer as duas funções em um só aparelho? Para aqueles mais hardcores, o Switch também chama a atenção pela facilidade em levá-lo para todo lugar, sendo uma ótima adição para aqueles que já tem um PS4, XONE ou PC, tudo isso acompanhado das IPs da Nintendo (que para muitos tem os melhores exclusivos). Já aqueles que não se identificam com o estilo de jogos da Big N e não se sentirem atraídos por eles depois de BotW e Super Mario Odyssey, podem ter a certeza que o Switch não é uma boa aquisição no momento, principalmente pelo preço alto no Brasil e a incerteza de sucesso a longo prazo.


Agora é com você leitor! O que você está achando do Switch? Deixe a sua opinião!

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Jonatas Marques

De RPG japonês até Candy Crush genérico, se me prende a atenção, estou jogando! Essa paixão transcendeu para a internet, onde escrevo sobre games na NL e no Medium.

One thought on “Review: Nintendo Switch

  • Rubens Mateus Padoveze

    eu acho que quero que esse amor platônico se consuma logo ^^

    Resposta

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