Cá estou novamente testando meus passos de dança no mais novo Just Dance da vez, com a esperança de que mudanças vieram e algo jamais visto embarca nessa edição de 2022. O que restou à franquia da Ubisoft, já que praticamente ela se tornou um jogo como serviço, sendo vendido como um jogo isolado, atualizando apenas seu catálogo anualmente? Bom, vamos descobrir se Just Dance 2022 tem um ritmo contagiante ou não.

Novo ano, novas músicas

Last Friday Night
Last Friday Night com suas homenagens

Como acontece todos os anos, Just Dance chega para a edição respectiva ao ano seguinte no qual ele é lançado, trazendo os últimos hits e, às vezes, até algumas canções bastante desconhecidas pela maioria aqui no ocidente, como aconteceu nos últimos JD que trouxeram algumas seleções sul-coreanas – K-popers piram. Porém, verdade seja dita: a coleção deste ano empolga um pouco mais e mostra um gosto musical melhorado em relação ao ano passado, e isso não apenas no quesito catálogo, mas também na própria jogabilidade.

Artistas famosos com suas músicas de grandes sucessos são um destaque pessoal para mim desta vez, como a incrível Believer do Imagine Dragons, que traz uma coreografia bacana e, ao mesmo tempo, simples de dançar; ou então a Last Friday Night (T.G.I.F) da Katy Perry, que conta com movimentos ainda focados na diversão, além de trazer uma espécie de homenagem às outras edições de Just Dance com personagens que dançaram as músicas da mesma artista, como também ao próprio videoclipe de Last Friday Night.

Mood
Mood com o estúdio 1 Million

Fora isso, também há a incrível Mood, de 24KGolden, que descobri através do JD 2022 e fiquei apaixonado por ela, já que existem duas versões e a versão Extreme é infinitamente superior, pois traz o famosíssimo estúdio de dança 1Million, estrelando a coreografia da coreana Lia Kim – responsável pelos passos de dança de várias apresentações do estúdio. Nessa versão, tudo fica bem mais difícil (o que já é de se esperar da Extreme), pois os personagens moldados para o jogo são removidos e, no lugar, temos três dançarinas reais – entre elas, Lia Kim – fazendo todos os movimentos para que imitemos. Palmas pra você se conseguir 100% na coreografia, pois esse estúdio é um dos melhores que já vi.

Danças mais próximas da realidade

Músicas estão menos "videogame"

As coreografias passam uma sensação menos de videogame dessa vez, no sentido de mexer apenas as mãos, e apresentam movimentos mais próximos a uma dança real. Isso é ainda mais nítido em JD 2022 por causa da, novamente, inserção das coreografias com pessoas reais. Isso aumenta razoavelmente a complexidade e foca na sua habilidade com o corpo, o que é perfeito para aqueles que querem dançar com profissionais em vez de “brincar de dançar” – sem ofensas. Espero que, daqui pra frente, mais danças bem boladas sejam trazidas e tenha variedade para todos os públicos, assim como já existe um espaço Kids no game.

Mesmo assim, como vem ocorrendo há algum tempo, certas músicas são reaproveitadas e possuem duas versões: comum e Extreme. Essa segunda é uma versão bem mais exigente da coreografia, sendo basicamente movimentos totalmente diferentes da versão padrão. Isso incentiva caso a pessoa realmente goste da canção e esteja disposto a dançar a mesma coisa duas vezes, porém, fica aquele gosto amargo na boca de reaproveitamento, visto que a quantidade de músicas novas não é tão absurda assim – 47 desta vez, contando com as variações. Também há o Sweat Mode, em que você vê na tela a quantidade de calorias perdidas durante a sessão.

As danças e todas as atividades do game giram em torno basicamente de pontuações, rankings e a obtenção de Mojo Points, que são a moeda interna de Just Dance 2022 utilizada para girar a máquina caça-níquel para receber um prêmio aleatório que será utilizada em seu avatar no placar online. Porém, como deixei nas entrelinhas, apenas o placar comporta o “modo online”, em vez de qualquer tipo de dança em tempo real para criar uma competição entre você e outra pessoa. Por mais que não tivéssemos uma maneira de ver o outro dançando, não faria mal uma batalha de danças em que apenas os números e estrelas são contados em tempo real. Nesse quesito, falta bastante inovação por parte da Ubisoft.

Esse personagem ainda me dá calafrios
Esse personagem ainda me dá calafrios

Algo decepcionante é a utilização de alguns personagens 3D com um claro mapeamento de movimentos de pessoas reais. O resultado é algo bizarro e saído diretamente do Vale da Estranheza, que é um efeito que ocorre no ser humano quando algo tenta simular ser da mesma espécie que a nossa, porém, acaba por possuir movimentos, feições e reações anormais. Um exemplo disso é a música Chandelier, que tem originalmente uma bailarina sensacional chamada Maddie Ziegler, a qual dança em praticamente todos os videoclipes da cantora Sia, mas que perdeu sua coreografia para um personagem 3D terrivelmente modelado que me parece ter sido extraído de algum The Sims.

Já nas músicas mais voltadas para o público infantil-juvenil, personagens feitos a partir de computação gráfica como na The Sunlight Shakers combinam exatamente com a proposta sem causar uma sensação de bizarrice, pois não tentam parecer uma pessoa real. Outra crítica também são as músicas que apresentam palavrões, como a Build A Bitch, que trazem suas versões lotadas de blips, o que incomoda bastante porque parece que o vocal está falhando. E digo isso mesmo não sendo alguém que utiliza palavras assim no meu vocabulário, já que estou focando em outro ponto aqui.

Por fim, mas não menos importante, temos o prato principal: Just Dance Unlimited. Sim, o serviço por streaming de JD virou o ponto alto pra mim de Just Dance, já que conta com toda a coleção de Just Dance lançada até então, e permite com que experimentamos 1 mês do serviço quando adquirimos uma nova edição da franquia. É um tempo razoável para degustação, porém, eu acharia mais justo o consumidor ter direito a todas as músicas dos games anteriores pelo simples fato de continuar comprando um produto que apenas renova seu conteúdo anualmente. É como se o molde estivesse pronto, e alguém fosse lá todo ano para inserir novas canções e criar novas coreografias.

Um Just Dance diferente, e que pode ser um bom sinal

Entre estranhezas com personagens 3D terrivelmente modelados que causam pesadelos e coreografias fantásticas criadas por estúdios de dança famosíssimos como o 1 Million, Just Dance 2022 traz poucas novidades, mas que, no fim das contas, acabam sendo interessantes e apontando até mesmo um sinal de que algo possa estar por vir. Acredito que as músicas com pessoas reais dançando (sem aquela maquiagem branca e efeitos de fundo) foram o teste para algo que a Ubisoft pode estar planejando como o futuro da franquia, a qual já está utilizando uma fórmula que mostra sinais agressivos de cansaço. As maiores mudanças do ano, como sempre, ficam a cargo do conteúdo, além das variações de coreografias entre o modo padrão e o Extreme. Tirando isso, Just Dance não tenta mais nada de novo, sem falar que possui um potencial enorme para o modo online, mas insiste em criar apenas placar de pontuações em vez de criar batalhas de dança em tempo real.


Trailer do Jogo


* Esta análise foi feita utilizando uma chave enviada pelos produtores