Posso dizer que tenho mais de 20 anos de gamer. A primeira memória que tenho na vida é com videogame: algo próximo dos 3 ou 4 anos, minha família estava mudando de casa e lembro que assistia o desenho do Super Mario World, mas não me recordo de muitos detalhes. Na época possuía um PSOne e um Snes, e os jogos que eu jogava (pelo que me lembro) eram Donkey Kong Country, Megaman 8, Mario, Crash, Spyro, Castlevania; no geral, os jogos mais famosos que haviam. Lembro-me de uma fase de água em Donkey Kong Country, e minha mãe falou que eu só conseguiria passar de fase depois de escovar os dentes (o que de fato aconteceu, mães e seus dons sobrenaturais…).

Posso dizer que, ao longo da minha vivência com games, um jogo me marcou de uma forma definitiva tal que moldou meus gostos, preferências, e outros aspectos da minha vida: Super Metroid! Tanto que, uma das maiores lembranças que tenho, é de um robô roxo rodopiando em verde brilhante, como as beyblades antigas com led, pulando no ar incansavelmente em um mundo rosa, tentando passar uma barreira que dava acesso a uma passagem à esquerda. Traduzindo: Samus de Gravity Suit, Screw Attack e Space Jump em Brinstar procurando itens ocultos.

Era exatamente essa a imagem da lembrança.
Não possuía Super Metroid (e não possuo a fita até hoje, por incrível que pareça!!), então era tudo na base de locadoras. Eu era, provavelmente, um dos únicos que alugava o jogo, pois meu save estava sempre lá quando pegava o jogo nos fins de semana. E quando visitava os tios na fazenda e era dia de alugar a fita, meu SNES era item mais obrigatório do que roupas e escova de dentes supérfluas.

Samus Aran, a primeira heroína a aparecer nos games (com algumas controvérsias). Minha descoberta de que se tratava de uma mulher foi durante as muitas mortes no jogo, provavelmente aos meus 10 anos, e na época estava acostumado a personagens femininas, pois já jogava muito Tomb Raider 2 (outro jogo que minha mãe me faz amar). Jogava na maior parte sozinho e sem revistas, então o processo até o fim do game foi moroso, chegando ao ponto de usar a bomb na grande maioria dos blocos do jogo, por não saber onde ir. E com novas habilidades era hora de revisitar as partes memorizadas anteriormente. Quando descobri o X-Ray Scope, depois de algum tempo jogando, foi revolucionário!! Foi hora de vasculhar o mapa todo antes do acesso a Tourian. E tamanha foi minha satisfação ao utilizar de revistas para fazer 100% do jogo e descobrir que faltavam pouquíssimos itens (mais especificamente uma Power Bomb em Norfair e uns dois ou três mísseis).

Aquele mundo enorme ansiava para ser explorado, e eu, um jovem mancebo com 10 ou 11 anos, aprendendo cada habilidade lentamente com ajuda de Etecoons e o Dachora. Fazer vários caminhos, pegar itens em rotas alternadas, usar Wall Jump e tentar subir em absolutamente tudo, assim, cada vez que zerava o jogo eram mais de 8 horas de pura exploração.

Mas, com o passar do tempo, comecei a experimentar outros jogos, deixando um pouco de lado a Samus. Tive anos de Castlevania: Symphony of the Night (e me orgulho de ter pegado level 76 na raça). Parei tecnologicamente em Snes e PSone até que, em 2005, minha mãe comprou um computador e descobri os emuladores!! Assim voltei ao Metroid, jogando Fusion e Zero Mission com o mesmo entusiasmo do Super Metroid, apesar de não ter feito 100% neles.

Minha fissura com Metroid começou com o trailer do Metroid Prime 2, provavelmente em 2005. Ainda possuía internet discada, então o processo de ver o gameplay foi deixar o vídeo carregando durante uma madrugada, na maior qualidade. Quando o vi, meus olhos brilharam com a mesma intensidade de quando vi o robô roxo rodopiante!

Com anos a fio de Half Life, ver um Metroid em primeira pessoa foi fascinantemente fascinante. Como costumo dizer sempre: “Que tecnologia”!!! Foi um estrondo na minha mente e passei a me introduzir de verdade no mundo Metroid. Voltei a jogar Super Metroid, tenho zerado ele ao menos uma vez por ano, e até hoje faço isso.

Infelizmente, porém, só fui conseguir trocar de videogame em 2011.

Metroid: Other M foi lançado em 2010. Nesse ano eu trabalhava em uma lan house e acompanhei a E3, os gameplays, os trailers, e foi a primeira (e única) vez que vi um walkthrough completo no Youtube. Confesso que não é o melhor Metroid e, apesar de muitas opiniões contrárias, amei o jogo, a jogabilidade, a continuação (pífia) da história.

Other M está para o Prime, em jogabilidade, como Bayonetta está para God of War. Ambos têm os mesmos problemas: história fraca e personagens nada cativantes, sem contar a Samus meiguinha de anime e a Cereza que não possui uma definição 18-. Mas ganham em jogabilidade de seus comparativos, e são jogos deliciosos de se jogar, o que para mim é o maior ponto em um jogo.

Então, com o 13º salário recebido, no comecinho de 2011, comprei meu Wii unicamente para voltar a jogar Metroid, e foi aí que me assumi como Nintendista. Com Other M em mãos, foi a fissura para jogá-lo e destrinchá-lo completamente. Ansiava sair do trabalho para poder jogar em casa, jogando até tarde e me atrasando para os compromissos, deixando a vida social de lado, até que consegui fechar 100% no modo Hard, o que foi relativamente fácil e muito satisfatório. Depois disso, fui ao Metroid Trilogy.

Uma coisa que acho incrível na Nintendo é a imensa capacidade deles conseguirem explorar jogabilidades diferentes e torná-las intuitivas e fáceis, tornando natural jogar em um ambiente em três dimensões, como se o jogo tivesse sido criado primeiramente dessa forma. Foi o que aconteceu com Mario 64, The Legendo f Zelda: Ocarina of Time e Metroid Prime.

Sobre o Prime, para mim não fazia diferença a jogabilidade, eu estava controlando a Samus em um mundo muito mais amplo que Zebes, com possibilidade de andar em todos os sentidos possíveis e muito mais até que Other M! Mais um jogo que fez meus olhos brilharem, sentindo-me novamente aquela criança olhando para o robô roxo e se fascinando. Aquele mundo era meu para explorar e debulhar completamente!

Então, começou a nova descoberta do jogo, a ansiedade em continuar jogando, os atrasos dos compromissos e broncas por monopolizar a TV. Outra obra-prima em minhas mãos, novos sorrisos e satisfações, e um novo orgulho ao ver a série inteira zerada.

O gênero Metroidvania tornou-se meu gênero preferido. O ambiente claustrofóbico tornou-se meu preferido. A temática Exploração Espacial, uma das minhas preferidas. Sua incrível jogabilidade me fez prezar pela jogabilidade nos games. A história… bom, nunca me importei tanto com histórias, mas ela também é sensacional no Metroid, e cito sua proximidade extraterrestre com Half Life, que também é uma franquia que marcou minha vida.

Estávamos em um hiato de jogos de Metroid. O infame Federations Forces não conta. Minha fissura pela franquia sempre foi alta, mas essa chama brilhou muito mais forte com o anúncio de Metroid: Samus Returns e Metroid Prime 4. E volta o Kiefer de 10 anos, olhando Metroid Prime 4 escrito na tela e vendo a Samus em jogabilidade 2D chutando bundas de metroids; e a ansiedade para jogá-los e debulha-los. Para aquela hora, cito Nux, de Mad Max Road of Fury: “What a lovely day”.

 

Esse texto é a declaração do amor que tenho pela franquia Metroid e pela Samus, a maior heroína já feita. Semana passada foi a semana de estreia de Samus Returns, essa é a chance da nova geração conhecer a série e uma oportunidade para revisitar os jogos antigos. Caso você ainda não tenha jogado nenhum jogo da franquia ou deixou algum de lado, faça um favor para si mesmo, jogue! Até mesmo Federations Forces tem seus méritos, tirando o fato de que não merece ter Metroid no nome, mas é um jogo relativamente divertido. Deixe os preconceitos de lado, as notas baixas da crítica e visite ou revisite os jogos.  Conheça a sua história, sua beleza, sua jogabilidade, o fator exploração; entendam o motivo da franquia ter feito escola e criado um gênero. Colocando tudo isso em cima da mesa e somando outros games, é totalmente perceptível que fazer obras de arte assim é costume da Nintendo.

Sobre o Autor

Este post foi escrito por nosso ouvinte/leitor Kiefer Kawakami!

Ele tem um blog pessoal de aleatoriedades sobre a vida e o Universo. Nesse blog ele escreveu um outro review. Leia mais clicando aqui.

Ele também já escreveu um post sobre Paper Mario: Color Splash que você pode ler aqui.

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