DestaquesGeralVamos por partes

Jogos baseados em livros (Parte 1)

 

Alguns jogos são extremamente ricos em seus conteúdos. Não me refiro só àqueles que tem um enredo consistente, mas existem até jogos mais simples que são recheados de elementos com muita história por trás. Seja no cenário, seja no background ou até na vestimenta dos personagens ou na música, a quantidade de referências e analogias são muitas, e o estudo para alcançar um resultado coerente e que ainda agrade o gamer é enorme também.

Contribuindo para esse enriquecimento de conteúdo, alguns desenvolvedores baseiam seus mundos na literatura, e eu vou apresentar alguns desses jogos.

Where’s Waldo?

Sabe aqueles livrinhos de quando a gente era criança, que tinha o personagem com a roupinha listrada e precisávamos encontrá-lo nas páginas cheias de pessoas? Pois é, fizeram um jogo no estilo puzzle do Wally, gente! Where’s Waldo foi desenvolvido pela Bethesda Softworks (ela mesma, a do Doom, Skyrim, etc.) e publicado em 1991 para o NES.

Neste jogo precisamos ajudar Waldo a chegar à Lua. O problema, meus queridos, é que não foi exatamente uma boa ideia lançar um jogo desse tipo em 1991, por causa dos gráficos. Não, eu não sou uma viciada em gráficos lindos e extremamente realistas, e quem me conhece sabe que eu sou beem apaixonada por uma pixel art, mas gente, isso era um Onde está Wally. Imagine achar o Wally em meio a vários elementos e pessoinhas quase irreconhecíveis? E como se não bastasse, eles tiveram a brilhante ideia de colocar outros personagens pelo cenário com as roupas listradas parecidas com as de Wally, e algumas até com cores similares, aí complica, né?

Olha que bagunça
Olha que bagunça

Uma curiosidade, o nome original do personagem é Wally, mas o nome foi alterado para o público americano, sendo conhecido lá como Waldo.

The Magic of Scheherazade

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Lançado no ocidente em 1989 para NES, The Magic of Scheherazade conta a história de um personagem que sofre de amnésia e viaja através do tempo para salvar a princesa Scheherazade do maligno Sabaron. É tipo um Legend of Zelda ambientado no mundo dos contos existentes em As Mil e Uma Noites.

Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Lançado para NES, este jogo baseou-se no livro de Robert Louis Stevenson conhecido no Brasil como O Médico e o Monstro. No game você joga com Dr. Jekyll, que está a caminho da igreja para o seu casamento.

Dr. Jekyll de boa caminhando.
Dr. Jekyll de boa caminhando.

O problema é que ele encontra vários obstáculos e acidentes que o atrapalham. Ao sofrer dano o personagem vai ficando nervoso, o que é bem plausível já que não consegue chegar à igreja para o momento mais importante de sua vida! A cada obstáculo o nível de raiva aumenta, e quando chega certo nível, o Dr. se transforma no Mr. Hyde e o cenário é substituído por um mundo cheio de monstros que precisam ser derrotados.

E Mr. Hyde no mundo pesadelo.
E Mr. Hyde no mundo pesadelo.

Este jogo ganhou notoriedade ao ser citado por um tal de James Rolfe, em The Andry Video Game Nerd, como um dos piores jogos que ele já jogou.

The Adventures of Tom Sawyer

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Baseado nos livros de Mark Twain, este jogo de plataforma de NES começa com a aventura de Tom em seus sonhos para salvar sua jovem amada Becky Thatcher, que foi raptada por Injun Joe. O jogo começa até bem fiel em termos de referências ao livro, mas se torna cada vez mais estranho até chegar ao ponto em que Tom salva a moça.

Pode-se jogar com dois jogadores, aí que Huck Finn entra pra história, sendo tipo um Luigi para o Tom.

Embora os gráficos do jogo não sejam lá essas coisas, e apesar de existir uma miscelânea de cenários e inimigos diferentes e incoerentes (como dragões, jacarés, fantasmas, etc.), alguns dizem que até dava pra passar o tempo.

The Hobbit

Eis que, em 2003, era lançada uma adaptação de O Hobbit, de Tolkien, para vários consoles, inclusive GameCube, PS2, Xbox e Game Boy Advance (mudaram um pouquinho o jogo pra GBA). O jogo tinha um pezinho na adaptação de Peter Jackson também. Nãão, gente, não estou falando do Hobbit, até porque ainda nem tinha lançado, mas sim da trilogia do anel.

Eu tenho um comentário a fazer, olha esse Bilbo esquisito:

E só eu achei a dublagem estranha? Ok, seguindo…

Basicamente é um jogo de plataforma em terceira pessoa com alguns puzzles. Você joga com o Bilbo Baggins (sério?), e o progresso é feito a partir das Quests que surgem em sua jornada.

A crítica não foi de todo esmagadora, foi considerado um jogo divertido, meio que imitando um Zelda, mas jamais chegando à pontinha dos pés. Recomendado para jovens jogadores ou para aqueles que gostam muito de Tolkien.

Menções honrosas de outras plataformas:

Série The Witcher

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Esta é uma das séries mais famosas da atualidade e teve seu último lançamento, o terceiro da série, premiado como o Jogo do Ano em 2015, mas algumas pessoas ainda não sabem que a história de Geralt de Rívia originou-se da série de livros do autor polonês  Andrzej Sapkowski.

Tanto o jogo quanto o livro contam a história deste caçador de monstros que utiliza habilidades sobrenaturais. Mas a parte legal dos jogos, o que difere da versão literária, é que o progresso depende das decisões do jogador, e elas moldam bastante o mundo e os acontecimentos.

Gente, esse jogo é tão motivo de orgulho para os poloneses que o ex Primeiro Ministro, Donald Tusk, presenteou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com uma cópia de The Witcher 2! Legal, né?

Dante’s Inferno

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Não tendo muito mistério, acho que todos sabem que Dante’s Inferno é inspirado no Inferno, primeira parte da Divida Comédia de Dante Alighieri.

Lançado em 2010 pra Xbox 360 e Playstation 3, o jogo aproveita muito os elementos do poema original, apresentando os pecados de cada círculo do inferno, além de ter diversos monstros contidos no livro.

E aí, sabiam que todos estes jogos vieram da literatura ou se surpreenderam com algum? Conhecem algum jogo que não citei mas deveria ser mencionado? Comentem aí e até o próximo post mesclando jogos e literatura!

Gostou? Então compartilhe!

Emile

Formada em Desenvolvimento de Jogos Digitais, sou uma apaixonada por filmes, HQ, games em geral e Pixels. Independente da plataforma e da geração, tendo uma boa jogabilidade ou um bom enredo, é muito bem vindo à minha coleção!