Recentemente saiu mais um dos inúmeros rumores que envolvem o NX: o de que o novo console da Nintendo utilizaria cartucho em vez de uma mídia óptica. Os saudosistas em puro êxtase vislumbram a possibilidade de retornar aos tempos de soprar cartuchos e reposicioná-los no leitor milimetricamente para, só então, poder jogar os seus jogos. Acredite: achávamos que éramos cientistas inteligentíssimos por causa disso, mas nunca ganhamos um prêmio Nobel sequer.

Voltando aos cartuchos no NX, vamos analisar essa história?

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WTF? Você está de brincadeira com a minha face? Ahhhhhh Nintendo! Te odeio do fundo da minha alma! Empresa retrograd………..

Pare! Hehehehe! Muitos de vocês devem ter lido a notícia e ter preparado as foices, tochas e forcas para caçar o NintendoXtein (entendeu a referência com o NX? Heim? heim?)! No entanto, convido-os a guardar as armas, abrir seus corações para o que isso pode representar: um verdadeiro salto para o futuro.

Como eu ia dizendo: Empresa retrógrada, não deu certo no N64, vai fazer isso pra que? Vai falir! E quero que queb……….

Calma jovem! Você está muito afobado Claro que um retorno ao cartucho (que foi abandonado em 2002) parece ser algo retrógrado e que não faz sentido algum nos dias atuais, mas acredite: faz todo o sentido! Mas antes de abordar o presente, vamos voltar um pouquinho ao passado?

O Nintendo 64 foi o último console de mesa que se aventurou a utilizar cartuchos, enquanto todos os seus concorrentes avançaram para os CDs. Foi um fracasso (se for comparado ao seu concorrente PS1), principalmente por causa dos custos envolvidos com a fabricação de cada cartucho, o que é claro era inteiramente repassado aos consumidores. Desde então, a Nintendo tem investido em mídias ópticas: GameCube, Wii e Wii U. Para o Wii U, no entanto, não quis recorrer ao Blu-ray (que o PS4 e o XOne utilizam) e utilizou um formato de disco proprietário (Wii U Optical Disk). O que foi um erro tendo em vista que a capacidade de produção dessa mídia em relação ao Blu-ray (que é utilizado em larga escala para filmes, shows, jogos, etc) é bem menor, o que torna mais complexo o processo de produção e distribuição dos produtos.

Aff…… Você tá chaaaaaaaato! Aulinha de história agora?

Pois é! Essa lenga a lenga acima é só para dar bases para os argumentos abaixo. Vamos ao que interessa agora! O Blu-ray não atende mais as necessidades dos jogos e isso é um fato.

Não concorda? É só olhar os jogos que são vendidos para o PS4 e XOne! Todos eles necessitam realizar a instalação de arquivos no HD do console, pois a taxa de transferência que os leitores da mídia oferecem não são compatíveis com as necessidades dos jogos, que estão cada vez mais robustos. Conforme os jogos vão evoluindo, vai ficando cada vez mais evidente que o discos não são o formato apropriado para rodar jogos. Já era assim na geração do PS3 e XBox 360 (o Wii era um caso a parte pois os jogos era graficamente inferiores).

Importante ressaltar que, antigamente, uma das principais desvantagens de mídia em cartucho era a capacidade de armazenamento. Hoje, temos um cartão de memória que supera, e muito, a capacidade de um Blu-ray. E eles estão a venda em qualquer grande loja de informática. Claro que um cartucho é uma tecnologia diferente, mas é possível fazer cartuchos hoje em dia com a capacidade, pelo menos, igual à do Blu-ray.

Além da vantagem do armazenamento, as taxas de transferência envolvidas são muito maiores do que de qualquer mídia óptica, o que tornaria a instalação em um HD ou qualquer outro dispositivo de armazenamento, por ora, desnecessária. E os intermináveis loadings que temos hoje? Eles podem ser reduzidos ou até mesmo eliminados. Acredite, você plugar o cartucho e já começar a jogar sem ter q esperar vários minutos é algo indescritível.

Além disso tudo que mencionei acima, o cartucho tem uma outra imensa vantagem: a possibilidade de add-on dentro do cartucho! Podemos citar o Super Nintendo em que alguns jogos utilizaram chips dentro do cartucho que os ajudaram a rodar funções que o processador do Super Nintendo não seria capaz de rodar! Esses chips poderiam variar as funções (desde auxílio gráfico até o som). Graças a chips como esses é que temos clássicos como Megaman X2, X3 e Super Mario RPG.

Adicionado ao benefício técnico, temos o benefício de você poder levar seu cartucho para a casa de um amigo e jogar o seu jogo salvo. Antigamente era assim e era muito bom!

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E a aulinha de história serviu pra que, professor Tibúrcio?

A aulinha de história serviu pra ilustrar o problema que se tem quando você tenta mudar uma tendência do mercado. Tanto em 1996 quanto agora, é mais barata a produção de uma mídia óptica do que da mídia em cartucho. E é aí que a Nintendo tem que tomar cuidado! Pra esse negócio vingar, ela terá que tornar barata a produção em massa de cartuchos para seus jogos de forma a igualar (ou chegar bem próximo) do custo de produção das mídias ópticas! Além disso, terá que convencer as empresas a trabalhar em parceria com ela! Ou seja, o NX terá um longo e tortuoso caminho para seguir! Porém, se ela conseguir isso, prepare o Delorean garoto, pois viajaremos de volta para o futuro!

Espero que esse futuro venha também com manuais e toda aquela mística sensação de abrir a caixa do jogo, ler o manual (que eram obras de arte) e ficar adimirando a fita!

É isso! Espero que as foices, pedras e outras armas tenham sido abandonadas, pelo menos até o lançamento quando, finalmente, veremos o que a Big N terá reservado para nós e os seus custos!

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