A franquia Of Mana era uma espécie de variante com a ação de Final Fantasy, até que conseguiu encontrar sua própria identidade misturando alguns gêneros nesse processo. O remake de Trials of Mana celebra o sucesso de vários anos da franquia, mas não abandona as suas origens. Vamos entendê-lo um pouco mais nesta análise.


Ficha Técnica

Título: Trials of Mana

Plataforma: Nintendo Switch

Tamanho: 10,6 GB

Desenvolvedora / Publicadora: Square Enix

Jogadores: 1

Em Português: Não

Gênero: RPG/Ação

Save na Nuvem: Sim

Classificação: 13 Anos

Preço no Lançamento (US): US$ 49.99


 

História

Geralmente, o ponto forte dos JRPGs é a história. Às vezes é um vilão tenebroso com motivações profundas (ou talvez é somente insano), outras vezes é sobre um herói que reconhece sua importância e quer se sacrificar para que outras pessoas sejam salvas. Talvez, depois de muito tempo, as ideias foram se acabando e tornou-se difícil inovar, então as coisas perderam um pouco da originalidade e parecem copiadas, por mais que não sejam. A história do universo da franquia Of Mana é realmente fantástica, indo além de alguns outros JRPGs da Square. Porém, vendo Trials of Mana isoladamente, parece que as coisas do passado continuaram no presente, quando se trata de alguns aspectos da narrativa.

Por mais que os jogos da franquia não sejam relacionados uns com os outros, assim como ocorre em Final Fantasy, a história de origem de seu universo é a mesma. O que se diferencia são os acontecimentos posteriores. No caso dos jogos Of Mana, em um mundo que era desolado por 8 feras divinas, a Deusa da Mana criou a Espada da Mana e selou as feras divinas em uma Pedra da Mana. Para descansar, a Deusa se tornou uma árvore e tem adormecido desde então, sendo ela a fonte do poder da Mana, que é finito, mas constante.

Conforme o poder da Mana foi acabando, as várias nações desse mundo, para dominar e soprepujar as outras, desejam obter o poder da Espada da Mana e das Pedras da Mana. Assim, existem três vilões que manipulam as nações para obter o poder em seu lugar. O vilão, a nação principal, as relações e muitos outros acontecimentos envolvem diretamente a escolha dos personagens jogáveis, aumentando o fator replay do jogo.

Existem seis personagens jogáveis e, logo antes de começar o jogo, o jogador pode escolher três deles. Além dos protagonistas da trama, o vilão principal é escolhido dentre três opções e conforme os personagens escolhidos pelo jogador, sendo que cada um se relaciona com dois heróis específicos. É interessante ressaltar que, caso o jogador escolha os heróis que possuem o vilão em comum, a história do jogo fica mais completa e com menos furos.

A narrativa de Trials of Mana é bem linear, assemelhando-se com vários The Legend of Zelda e alguns outros jogos da Square, como Bravely Default. Conforme as coisas vão acontecendo, os personagens sempre vão para uma dungeon e acabam enfrentando um boss. Então o jogo segue a mesma linha. Cidade, dungeon, cidade, dungeon… Muitas vezes é necessário voltar para alguns lugares por causa da abertura de uma nova passagem, mas até nesses casos o jogo segue basicamente a mesma linha, tornando a narrativa bem repetitiva em alguns momentos.

Apesar disso, enquanto a história não avança em termos geográficos, ela avança na relação dos personagens em geral, mostrando os reais vilões por trás de tudo e envolvendo as nações nesse meio, fazendo com que o decorrer de eventos tenham grandes proporções.

Entretanto, vejam bem, tratando-se de um JRPG da Square, geralmente eu falaria que o jogo toma proporções épicas, como o fim do mundo, do universo ou até de toda a existência, mas aqui não. Por mais que o jogo dê um sentimento de urgência, todo o ambiente está completamente alheio ao que está acontecendo. Isso, para mim, é o único ponto negativo na história, pois seu desenvolvimento é constante e a narrativa apenas tem proporções épicas no âmbito de cada personagem.

Não posso dar outros detalhes da história do jogo, pois, a partir do que já falei, novas informações podem ser consideradas spoilers.

Jogabilidade

Trials of Mana pegou um rumo diferente na época de seu lançamento original em relação à jogabilidade. Enquanto Final Fantasy e similares utilizavam o sistema de turno nas batalhas, a franquia Of Mana mesclou as mecânicas de The Legend of Zelda com Final Fantasy, sendo um Action RPG.

Seus comandos são relativamente simples e lembram bem um hack n’ slash, sendo eles: ataque rápido, ataque forte, pulo, esquiva, ataques especiais e magias. O mais interessante é o sistema de anéis de comando, que suportam itens e magias, além da possibilidade de colocar atalhos mais diretos. Um grande ponto positivo nessa ferramenta é que, ao ativá-la durante a batalha, o tempo cessa e é possível tomar as decisões com calma.

Assim como grande parte dos RPGs, os personagens avançam de nível, mas, diferentemente de muitos, o jogador escolhe os atributos que aumentará e isso impacta diretamente nas habilidades e magias do personagem. Para deixá-lo mais resistente, por exemplo, o jogador deverá distribuir mais pontos em Spirit (aumento da defesa mágica) e Stamina (aumento da defesa física), mas pode ser que haja uma habilidade em Luck que deixe o personagem mais resistente em alguns outros casos, por isso o jogador deverá pensar muito bem antes de escolher os atributos que aumentará. Entretanto, é importante falar que existe um local do jogo em que é possível resetar os pontos e corrigir possíveis erros, então não tenha medo de distribuí-los quando for a hora.

Para os jogadores já acostumados com Hack n’ Slash ou Souls Like, Trials of Mana é um jogo bem fácil, então não tenham medo de colocar no Hard, mas mesmo assim não será difícil. Os momentos desafiadores ficam por conta de alguns bosses, porém, dependendo dos personagens que você escolheu e de como avançou as habilidades, será apenas um momento de desfrutar de todo seu potencial sem se preocupar com os danos do chefe.

O ponto negativo na jogabilidade e que pode realmente afastar alguns jogadores está na câmera. Ela é bem pouco intuitiva e necessita uma atenção redobrada sobre as criaturas e aliados ao seu redor, pois o afastamento máximo é ainda bem próximo e não existe uma troca eficiente de sua mira. Em termos de jogabilidade pode ser irritante, mas, quando se considera o jogo inteiro, não faz tanta diferença levar alguns hits a mais das criaturas por causa da baixa dificuldade do jogo.

Arte

Visual

Trials of Mana possui um design mais cartunesco, bem próximo de RPGs menores como Bravely Default, e vem sendo assim desde as primeiras versões 3D da franquia. Por isso, não se pode comparar com outros jogos de maior orçamento da empresa, como Final Fantasy, que possui um visual belíssimo.

Já sabendo do que a Square é capaz, é possível notar vários pontos negativos nessa questão. O primeiro deles é a ausência de um tratamento maior nas sombras, não havendo tanta diferença de dia e noite ou cavernas mais profundas, caso o brilhos esteja no nível médio; o mesmo ocorre com as criaturas e personagens, que têm suas feições prejudicadas pela ausência de sombra.

Outra questão negativa do visual é o reaproveitamento de NPCs, existindo poucos padrões, que são repetidos recorrentemente nas várias cidades do jogo, sendo que não alteram nem suas vestimentas. Fora isso, o jogo está dentro dos padrões cartunescos dos JRPGs, como uma certa infantilização nos designs, sexualização de personagens femininas, muita cor e muita claridade.

Bom, então quer dizer que o visual é ruim? De forma alguma. A variedade de criaturas é enorme, o desenho de cada elemento do jogo é belíssimo, os efeitos e magias são de encher os olhos. Durante a luta contra um chefe é possível ter noção do nível de poder, tanto dele como dos seus personagens, por causa da ótima escolha de cores, por mais que peque na questão de iluminação. Mais um destaque vai para o deseho dos bosses, que são magníficos e cada um melhor que o outro, dando um ar imponente mesmo com o tom cartunesco. Outra questão importante é que o jogo não perde nada de resolução quando troca o modo TV para o Handheld.

Trilha sonora

Se o visual deixa a desejar em alguns pontos, aqui o jogo brilha. Suas músicas são vivas e cheias dos mais variados instrumentos, todas orquestradas e com detalhes que as tornam cada vez melhor. Há momentos em que é realmente interessante parar um pouco e prestar atenção nelas. Com som de flauta e outros instrumentos de sopro, marimba e percussões agudas, elas se destacam e passam até a mesma sensação de alguns clássicos, como a Saria’s Song de Ocarina of Time – claro, cada uma dentro das suas devidas proporções.

Para melhorar, há a possíbilidade de trocar a trilha sonora do Remake para o Original. E, melhorando ainda mais, as músicas originais foram completamente regravadas, estando agora orquestradas e não sendo mais 16 bits.

Além disso, os efeitos sonoros também são ótimos, excetuando-se uma ou outra coisa, como o som que o personagem faz sempre que pula ou esquiva, que chega a enjoar em um determinado ponto. Infelizmente as criaturas não possuem tantos sons, diferentemente dos bosses, que possuem cada um a sua identidade sonora.

Veredito

Trials of Mana brilha em muitas questões, mas também peca em outras. Apesar disso, os pontos negativos não são grandes o suficiente para que alguém perca o privilégio de jogar esse jogo.

Sua história é envolvente e bem direta, com uma jogabilidade ativa e relativamente complexa, dando espaço para os jogadores que gostam de treinar e também para os que só querem avançar o jogo.

Um ponto realmente muito positivo é que o jogo tem demo. Então, antes de tomar a decisão de comprar o jogo, recomendo fortemente que baixe-a e experimente. Caso queira comprar, você não perderá o avanço da demo.

Recomendo-o fortemente para quem já é fã da franquia, pois o jogo é uma ótima soma a ela. Também o indico para quem gosta de RPGs em geral e para quem gosta de jogos em que é possível criar builds e definir como seu personagem será antes mesmo de começar o jogo.

Para quem já jogou, tanto o completo como a demo, deixe aqui sua opinião e compartilhe conosco os personagens que escolheu!


Trailer do Jogo


* Esta análise foi feita com uma cópia fornecida pelos produtores.