Dessa vez trazemos uma pergunta enviada ao nosso e-mail pelo Rubens Mateus Padoveze – RMPArquimago – de Jaú/SP.

“Recentemente, reparei que a Nintendo veio com tudo com a questão de jogar presencialmente em: 1) Vários Lugares; 2) Com outras pessoas.

Por isso, não pude deixar de pensar em um “belo” problema que o Japão passa, e em menor escala outros países, que é o medo de sair de casa (Hikikomori). O que vocês acham? Que ela quer mesmo ser atuante contra este problema? E/ou seria apenas uma estratégia de mercado diferente já que em poder bruto de gráficos ela escolheu ficar para trás (se é que precisa mesmo de tanto gráfico em 4k…) ?

Digo isso pois anos antes ela tinha a questão dos 3DS se conversarem, mesmo se estivessem guardados nas mochilas, quando as pessoas se cruzavam na rua (ex: Animal Crossing); e mais recentemente Pokemon Go que só se joga ao ar livre! E aparentemente splatoon 2 também está indo para o lado de ter equipes e campeonatos.”

Veja o que nossa equipe acha do tema levantado:

Tovar

Realmente este é um problema diria que global. O mundo sofre com esse medo de sair de casa. Às vezes, não chega a ser medo, pode ser uma depressão, falta de vontade de sair ou mera “preguiça”. E é aí que a Nintendo ganha um papel fundamental. Ela tem uma linha de portáteis vencedoras não é por acaso, ela sempre quis estar com o jogador onde ele estivesse. Como você bem disse, Rubens, com o 3DS ela levou isso a um novo patamar, levou para um convívio fora de casa bem orgânico e transparente. Porém, ainda era uma experiência limitada a duas pessoas que tinham o console.

Com o Pokémon Go isso foi elevado a um alcance inimaginável. Pessoas saíram de casa. Elas tinham que sair para encontrar os amigos e se divertir. A proposta do jogo era essa: temos que andar para pegar todos. O Switch se propõe a fazer as pessoas poderem jogar juntas em qualquer lugar, mas essa não é uma imposição do console, sabe? Além disso, “poder” fazer é diferente de “querer” fazer! Pokémon Go conseguiu o feito de fazer as pessoas quererem sair de casa, mas será que o Switch terá essa força? Acredito que não!

Por isso, não acredito que ela esteja lutando contra o Hikikomori. Para combater o Hikikomori seus jogos deveriam fazer você querer jogar em qualquer lugar. Não consigo pensar numa pessoa falando: “pessoal, vamos pro parque pra jogar Mario Kart 8?”.  Entretanto, acredito sim que ela priorize o conceito de diversão com amigos. Isso, por outro lado, não é novo! Ela sempre prezou por isso.

Vamo que vamo!

Willian

O medo de sair de casa, seja qual a origem e intensidade é realmente algo complicado e cada vez mais presente em nosso mundo violento. Não sei dizer se a Nintendo esta pensando nessa questão quando cria um console como o Switch ou busca integrar as pessoas por meio de jogos como Pokemon Go.  Talvez a Nintendo esteja mais pensando na questão de jogar com alguém do que em levar as pessoas para fora de casa.

Historicamente a Nintendo sempre focou na questão do multplayer presencial, que antigamente acontecia nos sofás de nossas casas. Hoje o mundo mudou muito, as pessoas raramente se reunem em casa para jogar e estão cada vez mais ocupadas. Elas de fato estão cada vez mais longe casa seja no trabalho, na correria do dia a dia e acredito que a Nintendo quer justamente atacar esse ponto: Se as pessoas estão fora de suas casas, porquê não tentar levar nossos jogos com ela e se possivel na sua versão multplayer.

Muitas vezes via pessoas jogando seus portaties em minha faculdade e galera ali do lado junta. Infelizmente mesmo com a presença de outras pessoas acabava sendo algo muito solitario e o Switch mudou isso. Basta destacar os joycons e todos podem se divertir juntos.

Abraço!

Emile

Acredito que ser atuante contra o Hikikomori não seja a intenção da Nintendo ao assumir a postura atual que assume, proporcionando uma jogabilidade conjunta e externa ao ambiente doméstico, acredito sim que seja a sua segunda hipótese, Rubens, uma estratégia de mercado diferente das suas concorrentes, mas acho legal ressaltar que isso não contradiz em nada seu histórico e que contribui sim para o fim que você sugere.

Quando pensamos em Nintendo, não pensamos em sair de casa com os consoles, mas sim união entre amigos. Acontece que esta união muitas vezes não é tão possível dentro das casas, o que traz a importância dos portáteis para o alcance deste objetivo. O seu exemplo do 3DS foi ótimo para ilustrar isso, mas na verdade desde os portáteis anteriores acredito que estivéssemos neste caminho, porém agora temos novas possibilidades tecnológicas.

Voltando ao Hikikomori, embora eu não acredite que esta seja a intenção real da Nintendo, para os resultados não faz muita diferença. Digo, se a postura da Nintendo estimula as pessoas a saírem de casa, como no seu exemplo do Pokemon Go (o que, honestamente, até hoje me deixa absurdamente boquiaberta com o alcance e impacto que aquela época trouxe para nós), é totalmente válido! Se foi a intenção ou não, eu valorizo muito mais os resultados reais, principalmente quando penso na quantidade de pessoas que se beneficiam de alguma forma disso. Pessoas que, por um motivo ou por outro, não tem muitos amigos para juntar em uma casa, pessoas que muitas vezes são tímidas demais para tomar a iniciativa de fazer um grupo para jogatina ou até simplesmente ter coragem de se aproximar de outras num mundo fora do virtual. Pessoas que tem medo do mundo por consequência de fatores internos ou externos a elas.

Inclusive uma das minhas primeiras participações assíduas em fórum foi em um de Nintendo DS, e nessa época sempre fazíamos encontro em locais públicos com, a princípio, completos desconhecidos fora do mundo virtual, e isso proporciona uma série de vantagens, não só mercadologicamente para os portáteis, mas também pessoalmente para aquelas pessoas que estão ali, e que foram unidas sim pelo console, mas que podem amadurecer suas relações com os outros e consigo mesmas, descobrindo novas possibilidades, e é claro, não precisando nunca deixar de jogar!

Falando por mim, eu agradeço muito aos portáteis na minha vida! E sei que muitos gamers pensam da mesma forma.

Jow

Acho que se a Nintendo pensasse no bem estar das outras pessoas, não incentivava a carnificina entre elas com um jogo como Mario Party 64 ou o casco azul de Mario Kart hahaha!

Brincadeiras a parte, esse assunto é interessante pois cheguei a passar pela experiência de “usar” os jogos para conhecer pessoas. A faculdade é lugar infernal e ter que conviver no meio de gente tão diferente só dificulta esse processo, porém um 3DS com Pokémon e Mario Kart 7 transformaram minha passagem pela graduação em algo bem tranquilo e divertido, apesar de ser muito difícil ter que sair de uma jogatina em grupo para fazer provas.

Não é só por causa do portátil de sucesso que a Nintendo tem esse papel importante na relação entre as pessoas, os jogos e a filosofia de trabalho dela passam bem longes de ambientes tóxicos, que deixam a diversão de lado para inflar a nossa necessidade de ser melhores que os outros. A indústria está caminhando para uma direção cada vez mais competitiva, com possibilidades até do anonimato, já que as maiores interações entre jogadores de FIFA, COD, Battlefield e até Overwatch são Onlines.

A Nintendo não é uma santa e também coloca o lucro acima do bem estar das pessoas, por isso não acho que ela trate o Hikikomori como um problema urgente para ela resolver, porém só o fato dela não seguir, agora com o Switch, a “tendência” de uma mercado de games que mais isola do que agrupa pessoas, me dá esperança para acreditar que ainda vale jogar Videogames.