Após o sucesso do relançamento dos seus primeiros jogos, uma das mascotes mais icônicas dos videogames está de volta em um novo jogo, trazendo consigo a nostalgia e uma pitada de bom humor. Mas será que, passados vários anos desde a trilogia clássica, um novo jogo com a mesma estrutura consegue se sustentar?


Ficha Técnica

Título: Crash Bandicoot 4: It’s About Time

Plataforma: Nintendo Switch

Data de Lançamento: 11/03/2021

Tamanho: 10,2GB

Desenvolvedores: Toys for Bob

Publicadora: Activision

Jogadores: 1-4

Save na nuvem: Sim

Em português: Sim

Gênero: Plataforma

Preço no Lançamento (BR): R$ 199,00

Preço no Lançamento (US): US$ 39,99


Sobre o Jogo

Antes de começar esta análise propriamente dita, gostaria de salientar que meu contato com os jogos da trilogia original foi mínimo, por isso minha análise não terá o efeito nostálgico que este jogo desperta ou despertará em muitos dos jogadores que se aventurarem neste título.

Crash Bandicoot 4: It’s About Time foi lançado em 2020 para Xbox e Playstation 4 chegando ao console nintendista somente em 2021. É uma pena que tenha existido essa demora e que os proprietários do Nintendo Switch não tenham tido a oportunidade de, durante o lançamento, curtir e comentar junto com os outros jogadores ao redor do planeta.

Ambientado após os eventos do terceiro jogo – ignorando totalmente os jogos lançados desde então –, este jogo traz os inimigos Neo Cortex, N. Tropy e Uka Uka (uma espécie de máscara maligna) que criam fendas temporais e cabe ao Crash e seus amigos fechá-las.

O enredo é bem simples e bem-humorado, servindo apenas como desculpa para pular aqui e acolá, o que de maneira alguma é algo ruim. Além disso, a dublagem e localização em português torna o jogo ainda mais acessível, ajudando aos jogadores brasileiros a entenderem as piadas e poderem se divertir com os diálogos e situações

Este é um jogo de plataforma com movimentação 3D e câmera fixa, sendo que, em alguns momentos dentro de uma mesma fase, ela está posicionada atrás do Crash e, em outros, o jogador tem uma visão lateral (virando quase um game no estilo plataforma 2D de antigamente).

É possível jogar com o Crash ou com a Coco, mas seus movimentos acabam sendo os mesmos. Os personagens conseguem andar, pular, dar o pulo duplo e desferir ataques giratórios em caixas e inimigos. Além disso, em determinadas áreas de uma fase, máscaras aliadas auxiliarão o jogador durante a aventura. Por exemplo: há uma máscara que faz com que você alterne (usando o botão ZR) entre duas realidades do mundo (objetos que estão em uma dimensão e não estão na outra); há, ainda, outra máscara que faz com que você gire e consiga pular mais longe e cair de forma mais lenta.

Essa área azul à frente do Crash é ativada com a máscara que está em suas costas.

Além disso, há uma enorme variedade de fases e inimigos que você enfrentará pelo caminho, exigindo sempre algo diferente do jogador no quesito jogabilidade. O destaque vai para os chefes que possuem formas e mecânicas distintas e alguns deles são tão marcantes que ficam na memória do jogador.

Um dos chefes do jogo

Ainda, ao longo da jornada você encontrará outros personagens jogáveis, cada um com uma mecânica que torna a variação de jogabilidade ainda mais interessante. Infelizmente, esses personagens somente são jogáveis em fases dedicadas a eles.

Existem, ainda, fitas de flashback espalhadas pelas fases. Para coletá-las, o jogador deverá chegar até ela sem morrer uma única vez na fase. Após adquiri-las, o jogador poderá testar suas habilidades em uma fase curta, mas ainda mais difícil.

Quer mais variação de jogabilidade? Em um determinado momento do jogo ocorrem alguns eventos que permitirão ao jogador jogar as fases novamente, mas de uma forma diferente (sem dar spoilers).

Uma das personagens jogáveis

Em cada fase o jogador tem alguns desafios a cumprir como, por exemplo, quebrar todas as caixas (algumas estão em segmentos “bônus” de um estágio), encontrar joias escondidas e chegar ao final do estágio sem morrer uma vida sequer.

Em síntese, esse jogo possui uma dificuldade bem elevada (boa parte dela vem por conta dos problemas que relatarei a seguir), sendo possível selecionar dois modos de jogo: clássico (com quantidade de vidas limitadas por fase e com o famoso game over) e moderno (vidas infinitas). Contudo, selecionar o modo moderno não significa que o jogador terá facilidade em concluir os desafios, apenas significa que ele terá menos trabalho do que no modo clássico, tornando o jogo menos punitivo.

Problemas e mais problemas

O jogo, apesar de interessante, trouxe vários problemas dos seus antecessores. Abaixo vou listar alguns que prejudicaram a minha experiência.

Primeiramente, o sistema de câmera fixa. Câmera fixa jamais será um problema se for bem utilizada e posicionada.  Porém, neste jogo, o posicionamento da câmera atrás do Crash prejudica a percepção do jogador quanto à distância real para a plataforma que está a sua frente. Isso piora quando se trata de pulos em caixas (que têm áreas de contato ainda menores que as das plataformas) e, por diversas vezes, o jogador falha não pelo fato de ter errado um pulo, mas porque o jogo não forneceu subsídios suficientes para que ele pudesse ser preciso; e jogos de plataforma versam muito sobre isso: precisão.

Tanto é verdade que essa câmera é problemática que os próprios desenvolvedores colocaram um indicador no chão para mostrar onde o Crash irá cair. Talvez um leve ajuste de angulação e altura da câmera já resolvesse o problema, fazendo com que esse artifício não fosse mais necessário e o jogador tivesse a precisão que tanto necessita em jogos deste estilo. Ou, talvez, se eles permitissem girar a câmera (uns 45º pra um lado ou para o outro) já traria bastantes benefícios para o gameplay.

Se a câmera girasse um pouquinho para a direita daria para saber onde a caixa realmente está.

Além disso, outro problema é o pulo duplo do Crash. Ao ativar o pulo duplo, o personagem dá uma leve freada no ar e perde parte da aceleração que tinha, tornando o segundo pulo muito mais curto que o primeiro. Isso prejudica a precisão de pulos que necessitam desta mecânica e, mais uma vez, o jogador pode se sentir irritado/frustrado por morrer por causa disso.

Outro aspecto a se mencionar é a falta de recompensas pelo seu esforço (a única recompensa para a grande maioria dos jogadores será apenas chegar ao final da fase). Acontece que são vários visuais diferentes para o Crash, mas que somente são liberados caso você conclua todos os desafios propostos (incluindo chegar ao final sem perder nenhuma vida). Como dito ao longo desta análise, esse jogo é bastante punitivo pela falta de precisão de seus controles, então é uma tarefa árdua conseguir desbloquear os visuais, o que dirá de fazer 100% do conteúdo desbloqueado.

Vários visuais

Por fim, o multiplayer dele é algo que é uma decisão questionável. Os desenvolvedores implementaram o sistema de multiplayer “solo” em que os jogadores se alternam, cada um uma vida. Justificaram isso usando a nostalgia de “passar o controle”, o que é bem ultrapassado para a atualidade.

Gráficos e Sons

O jogo está bem bonito e rodando muito bem no Switch, não apresentando quedas perceptíveis de framerate ou qualquer detalhe gráfico que tenha atrapalhado o gameplay. Quanto aos quesitos “música” e “efeitos sonoros”, Crash 4 é bem competente.

Veredito

Crash 4: It’s About Time é um resgate da mascote trazendo-a para 2020-2021 em um jogo novo. Contudo, vários problemas dos jogos originais foram importados no processo e não sofreram atualizações que a própria indústria trouxe ao longo destes vários anos. O jogo tem tantos problemas (o principal deles, na minha opinião, é a perspectiva da câmera) que é difícil ignorá-los, a menos que exista uma nostalgia por trás (o que não é o meu caso).

Parece-me, em uma visão mais superficial, um jogo sustentado mais pela nostalgia do que pelas suas mecânicas, visto que muitas delas estão desatualizadas. Então, aquele jogador jogou a trilogia original (ou seu relançamento) e gostou provavelmente gostará deste título também.

Contudo, se você é um jogador que nunca teve contato com a franquia ou que teve contato mínimo (como eu), saiba que os problemas existem e tornam Crash 4, na minha opinião, um jogo com mecânicas “velhas” que foi lançado recentemente.

E você? Já jogou? Sentiu vontade de jogar?


Trailer do Jogo


* Este review foi feito utilizando uma chave fornecida pelos produtores