Um mago, um robô, um mestre de ferrovias e um atirador de elite devem entrar nas mais perigosas masmorras para salvar Novastraia da invasão iminente. Porém, será que o jogo consegue sustentar essa premissa? No review abaixo você descobrirá.


Ficha Técnica

Título: Torchlight 3

Plataforma: Nintendo Switch

Data de Lançamento: 22/10/2020

Tamanho: 6.6GB

Desenvolvedora/Publicadora: Echtra Games/Perfect World

Jogadores: 1 (offline) ou até 40 jogadores (online)

Save na nuvem: Sim

Em português: Sim (parcialmente)

Gênero: Dungeon Crawler, Ação, Aventura, RPG

Preço no Lançamento (US): US$ 39,99


História

Torchlight 3 se passa um século após os eventos do segundo jogo e Novastraia (mundo do jogo) está novamente sob ameaça da invasão de Netherim.

Entretanto, acredito que a história seja muito mal explorada, visto que os detalhes acima eu só identifiquei pela própria sinopse do jogo. Não há nenhuma introdução do enredo ou contextualização com os outros jogos da franquia. Quando o jogador inicia o jogo, já é exibida uma cutscene em um navio e, logo após, a tela de seleção de personagem.

Os diálogos das missões não oferecem maiores detalhes sobre a trama, sendo bem restritos aos objetivos a serem alcançados (exemplo: “estou precisando de um cogumelo, vá até determinado local, pegue alguns e traga para mim”).

Além disso, é importante ressaltar que o jogo está traduzido para o português, porém de forma parcial. Acontece que diálogos, menus e alguns textos são localizados, porém cutscenes e áudios encontrados durante a aventura – conteúdos que, possivelmente, são importantes para o entendimento da história – não são sequer legendados (seja em inglês ou em português).

Um outro aspecto a se considerar com relação à tradução é que existem alguns pontos do  jogo que não foram totalmente localizados, o que causa uma certa estranheza em ver, por exemplo, os atributos dos seus itens tanto em português quanto em inglês.

Repare a descrição do último nível de dificuldade!

De todo modo, de forma bem resumida, a história fica bastante prejudicada por conta da falta de tradução e pela forma como os desenvolvedores optaram por contá-la. Porém, o foco da franquia Torchlight acaba sendo a sua jogabilidade e não a narrativa propriamente dita. E esse é o próximo aspecto a ser abordado neste review.

Jogabilidade

Torchlight 3 é um Dungeon Crawler (popularmente conhecido como “jogo tipo Diablo”). Você deve explorar masmorras e cenários de forma a obter itens e armas mais poderosos para sua jornada. Os mapas aqui são gerados randomicamente, o que garante ao jogador que, a cada vez que ele for se aventurar pelas terras de Novastraia, tenha uma experiência diferente.

Como dito anteriormente, você inicia com a seleção do personagem, sendo eles divididos em quatro classes distintas: atirador(a) de elite, mago(a) crepuscular, forjador (uma espécie de robô) e mestre de ferrovia. Cada classe possui suas habilidades e jogabilidade específicas, cabendo ao jogador escolher e aprender como cada uma se comporta.

Cada uma das classes descritas acima possui duas árvores de habilidades próprias e uma terceira é escolhida pelo jogador, por meio da seleção de uma das cinco relíquias disponíveis, sendo elas: Flagelo (venenosa),  Sedenta de Sangue (focada em cura, mas causando dano aos inimigos no processo), Friocoração (gelo), Elétrodo (eletricidade) e Flaming Destroyer (fogo). Essa escolha é interessante até para a seleção de armas. Por exemplo: selecionando a relíquia Flagelo te dará uma habilidade que, caso você acerte um inimigo envenenado, pode invocar duas aranhas para lutar ao seu lado, o que favorece a escolha por armas com o elemento de toxicidade.

Flaming Destroyer não foi traduzido também.

Ainda, o jogo possui um sistema de níveis em que, a cada evolução, você recebe um ponto de habilidade para melhorar/desbloquear novas técnicas de combate. Porém, a escolha de como aplicar esses pontos dependerá da forma como o jogador quer montar o seu personagem.

Além disso, os equipamentos obtidos possuem atributos específicos (dano, defesa, resistência a elementos, etc), e, assim como as técnicas de combate descritas no parágrafo anterior, cada item coletado pode favorecer ou desfavorecer determinados estilos de gameplay.

Um pet para te acompanhar

Quem jogou Torchlight 2 sabe que o seu bichinho de estimação é um dos principais diferenciais do jogo com relação a outros do gênero. Cada animal tem suas habilidades específicas que podem te auxiliar durante a aventura, além de poder atacar os inimigos. Novamente: o melhor animal dependerá única e exclusivamente da forma de jogar do jogador.

Porém, uma das maiores vantagens deles talvez seja justamente a possibilidade de colocar itens nas suas bolsas e mandá-los automaticamente a cidade para vendê-los, ficando indisponíveis por um período de tempo. Isso é bastante útil para evitar que o jogador tenha que se deslocar até a cidade para vender os itens que estão sobressalentes em seu inventário.

Contudo, a gama de opções no início do jogo é bem limitada, tendo apenas alguns animais disponíveis. Entretanto, conforme o jogador vai progredindo e eliminando chefes de área, novos bichos são liberados para serem utilizados.

Um forte para chamar de seu

Determinado momento do jogo é liberado um forte que você deve “administrar”. Para isso, deverá adquirir máquinas e equipamentos (alguns com funções, outros meramente estéticos) e fazer a decoração da área como quiser. Entretanto, esta funcionalidade é muito mais para gerar compartilhamento em redes sociais do que um elemento de gameplay propriamente dito.

Decoração

Para criar os itens para serem utilizados no forte o jogador precisará de dinheiro e de materiais. Logo, coletar recursos durante missões é essencial para conseguir desbloquear o máximo de melhorias possível.

No próprio mapa é possível visualizar os ícones de onde há material para ser coletado. Ao se aproximar de uma fonte de recursos, é só apertar o botão “A” e o personagem fará uma animação de coleta e os recursos aparecerão no chão para serem recolhidos.

Por falar em mapa, ele é um pouco confuso. Quando você desce em um porão, por exemplo, não existe um detalhamento sobre aquele lugar e seu personagem continua sendo exibido no mapa principal, andando como se estivesse no nível superior.

Sons e Gráficos

Os gráficos seguem a linha de seu antecessor. Ele segue um estilo mais descompromissado e mais “infantilesco”, mas que não deixa de ser bonito. Além disso, é interessante a opção de aproximar e afastar a câmera do personagem, porém seria mais interessante ainda ter a opção de girá-la. Ocorre que, por diversas vezes, algo (inimigos, baús, barreiras ou áreas de mineração) ficam escondidas por elementos do cenário, o que atrapalha muito a visualização.

No porão existem duas fontes de mineiras, mas elas estão escondidas pelo próprio cenário. Repare também que o porão não tem mapa próprio, parecendo que o jogador está numa espécie de “limbo”.

Quanto aos efeitos sonoros e músicas, não há nada que seja digno de nota, apenas cumprindo o papel.

Multiplayer

O multiplayer do jogo é apenas online, o que é uma oportunidade desperdiçada. Talvez pelo fato de o jogo quase ter sido um MMORPG (inicialmente ele se chamaria Torchlight Frontiers e seria free-to-play, o que gerou protestos pela internet). De acordo com as informações oficiais, é possível jogar em até 40 jogadores (sim, quarenta!), porém não foi possível testar este recurso, pois ele apenas está disponível para jogo com amigos e nenhum de meus contatos possui o jogo ainda.

Hello Darkness, My Old Friend!

Um outro aspecto a se ressaltar é a impossibilidade de aproveitamento de personagem single player em campanhas multiplayer, e vice-versa. Quer jogar um jogo solo? Crie um personagem. Quer jogar em time? Crie um outro personagem especificamente para esse modo.

Problemas à Vista

O jogo é cheio de pequenos problemas e bugs. Alguns podem ser corrigidos em atualizações futuras, mas até a data de publicação deste post, ainda estavam presentes.

O primeiro problema que destaco é o menu que é bem confuso e com bastante texto pra ler. Faltou um agrupamento de itens (ex: capacetes, armas, botas, etc) a fim de facilitar a compreensão e navegação.

Além disso, por diversas vezes a simples interação com o menu do jogo fez aparecer coisas na tela que somente desapareciam após nova entrada no menu, indo ao ponto exato em que o problema ocorreu. Um outro problema é que algumas vezes os inimigos e/ou seu animal desaparecem da tela e não reaparecem mais, a menos que você morra.

Essa estátua é um dos prêmios da guia “contratos” do menu. Se você visualiza ela no menu, ela permanece na tela do jogo.

Mas talvez a decisão mais frustrante seja a de não poder pausar o jogo. Sabe quando você está jogando e seu celular toca e você tem que pausar para atender? O jogo não te dá esse direito! Mesmo na campanha off-line não é possível pausar o jogo, seja para simplesmente parar a execução, seja para administrar seu inventário.

Veredito

Para quem gosta de RPG de ação isométrico e um bom “jogo estilo Diablo”, essa pode ser uma boa alternativa. Infelizmente o jogo sofreu um pouco com a mudança de planos repentina e adaptação para deixar de ser um MMORPG para ser uma continuação da franquia.

Contudo, apesar de todos os problemas relatados nesta análise, Torchlight 3 ainda consegue entregar um jogo bom, divertido e com uma boa duração (sem contar o fator replay). O novo sistema de classes e relíquias é interessante e traz algo diferenciado em relação aos jogos anteriores.

Porém, o preço de 40 dólares é elevado e – dada a quantidade de falhas que ele apresenta – há que se ponderar o custo-benefício da compra, tendo em vista, inclusive, outros jogos do mesmo gênero disponíveis atualmente, como, por exemplo, o competente Torchlight 2.

E você? Já jogou o jogo? É fã da franquia? Dê sua opinião nos comentários.


Trailer


* Esta análise foi escrita usando uma chave fornecida pelos produtores.