Todos sabemos que a Nintendo é genial quando se trata de inovação. E mesmo quando se trata de fazer “mais do mesmo”, ela também inova. Com a franquia Paper Mario não é diferente, pois segue a mesma fórmula de sucesso dos anteriores, inovando em alguns aspectos. Porém, será que Origami King continuou com o mesmo trunfo?


Ficha Técnica

Título: Paper Mario: The Origami King

Plataforma: Nintendo Switch

Data de lançamento: 17/07/2020

Tamanho: 6,4 GB

Desenvolvedora/Publicadora: Intelligent Systems/Nintendo

Jogadores: 1

Em Português: Não

Save na nuvem: Sim

Gênero:Ação/Aventura

Classificação: Livre

Preço no Lançamento (US): US$ 59,99

Preço no Lançamento (BR): R$ 250,79

Tempo de Jogo (média): 28 horas


 

Um constante sorriso no rosto enquanto se joga

Para quem não sabe, Paper Mario: Color Splash marcou muito minha vida, tanto que foi o primeiro texto que escrevi para a NLovers, ainda como um leitor/ouvinte (se tiver interesse, pode ler o post nesse link aqui). Origami King, por sua vez, repete tudo que deu certo nele, expande e procura melhorar em vários aspectos, aprofundando a relação com o ambiente e com personagens. Mas vou tentar ao máximo não compará-lo com o anterior, até por que ele se sustenta sozinho e não é uma sequência em relação à história.

Sua história começa com Mario e Luigi, montados em um kart. Eles foram convidados pela Princesa Peach a um festival de origami. Ao chegarem, em vez de uma festa, eles se deparam com uma cidade completamente abandonada. Dentro do Castelo, uma Peach feita de Origami – e não de papel liso, como nos acostumamos a ver – aparece e, após alguns questionamentos filosóficos, faz com que o Mario caia nas masmorras do castelo. Lá embaixo, nosso herói resgata uma fadinha de origami chamada Olivia.

Depois de explorar um pouco, descobrimos que é o irmão de Olivia, o Rei Ollie, que está por trás dessa bagunça. Ele que transformou a Peach, deixando-a daquela forma, também criando um exército de soldados de origami. Depois disso ele sequestra o castelo inteiro utilizando serpentinas coloridas gigantes e levando-o para bem longe. Assim, cabem ao Mario e a Olivia, destruírem as serpentinas, recuperarem o castelo e salvarem o Reino dos Cogumelos inteiro.

Basicamente essa é a história, e ela vai acontecendo lentamente, dando foco às tramas paralelas que aprofundam a história de alguns personagens. Elas fazem com que o jogador tenha mais empatia com o que está acontecendo e com os personagens. Sobre a história de uma forma geral, Nintendo construiu um enredo que consegue trazer emoções variadas: humor, alegria, tristeza, nostalgia e um pouco mais de humor, tudo com muita sensibilidade e que nos entretém em cada cena, ótimo para a aproximação e identificação do jogador com o que é contado.

O jogo é repleto de pequenas surpresas e recompensas, premiando o jogador pela exploração ou pelo avanço natural da história. São momentos chaves que servem puramente para apreciar a beleza do jogo e pensar no quanto que a Nintendo sabe deixar belas as coisas que faz. Eles ocorrem, de certa forma, dentro de um espaço de tempo perfeito, fazendo com que haja um sorriso constante no rosto do jogador, ou seja, quando o sorriso começa a se desfazer, logo vem uma outra situação para devolvê-lo ao rosto.

Quanto à exploração, são quatro atividades em cada tela, sendo elas: blocos de interrogação escondidos, buracos no cenário que devem ser preenchidos com confeti, itens colecionáveis e toads escondidos.

Os blocos muitas vezes estão invisíveis, mas alguns detalhes no cenário podem revelar sua localização. Os buracos são literalmente buracos, em que falta a estrutura do cenário, sendo possível preenchê-lo com confetti para consertá-lo. Os colecionáveis são itens da coleção do museu, obtidos de várias formas. Os toads escondidos, por fim, muitas vezes estão dobrados em forma de algum animal ou com apenas uma pequena parte de seu corpo exposta, sendo necessário que o Mario de uma marretada ou puxe-os. Assim que são salvos, eles aparecem nas arquibancadas da arena de batalha, que falarei mais abaixo.

Os diálogos também somam muito na experiência. Cada personagem, jogável ou não, possui uma personalidade própria e isso se torna bem claro quando você conversa com eles, sendo que muitas piadas saem daí.

Alguns desses momentos especiais ocorrem em cafeterias, sendo muitas vezes inesperados e divertidos. É interessante observar que eles não possuem nenhuma importância para a história ou para o avanço do jogo, sendo somente um momento de apreciação, servindo como mais um prêmio pela exploração do mundo ao seu redor. São detalhes pequenos assim que tornam esse jogo grande.

Jogabilidade

Sua jogabilidade, considerando a batalha, ocorre em turnos. Aqui o Mario sempre ataca primeiro e, dependendo do desempenho no puzzle das batalhas, pode ser que nem chegue a vez dos inimigos. Porém, como isso funciona?

Bom, todo Paper Mario tenta ter uma novidade na sua jogabilidade. Super Paper Mario é um plataforma com ação, Color Splash é com cartas e The Origami King é o quebra cabeça chamado Ringer. É difícil explicá-lo somente com palavras, por isso aqui tem algumas imagens sobre como que ele ocorre.

O jogador deve mover os inimigos no cenário de duas formas: mexendo na profundidade (jogando inimigos para frente e para trás) ou na lateral (manipulando os anéis individuais do círculo). Seu objetivo é agrupar os inimigos na arena de dois modos distintos: alinhando-os (ataque com botas) ou agrupando-os (ataque com marreta). Caso o jogador resolva o puzzle, ele terá um ataque 50% mais forte e mais moedas obtidas no fim da batalha. Caso o quebra cabeça esteja muito difícil, é possível jogar moedas aos toads das arquibancadas para que eles auxiliem em sua resolução, ataquem os inimigos e curem o Mario.

Contudo, as recompensas obtidas no fim das batalhas, às vezes, não valem todo o trabalho que certos puzzles dão. Aliás, chega um momento que o desafio proposto torna as batalhas cansativas, mesmo quando se obtém alguns itens que a facilitam. Apesar disso, conforme o jogador avança no jogo, é possível derrotar alguns dos inimigos com pisões ou marretadas, sem necessariamente entrar em batalha, e isso alivia muito.

Por mais que as batalhas normais cansem com o tempo, o mesmo não acontece com as batalhas contra os chefes. Elas são memoráveis, pois são realmente boas. Seguem uma estrutura semelhante, mas com algumas diferenças – como podem ver na imagem abaixo -, e cada uma possui elementos diferentes que alteram a dinâmica, de tal forma que se torna divertido descobrir pela tentativa e erro cada nova possibilidade para pôr um fim ao inimigo.

Além disso, existem os inimigos de Papel Machê, e as batalhas contra eles são diretamente no mundo do jogo, não indo para uma arena separada. Com eles as batalhas são bem mais animadas, dinâmicas e divertidas, sendo que existem até alguns bosses que são enfrentados assim. Esta parte me lembrou até a jogabilidade de Super Paper Mario, de Wii.

Arte

Paper Mario: The Origami King é primoroso no que se trata de seu visual. Sua escolha artística é a mesma dos anteriores: os personagens são papeis bidimensionais e os inimigos são as criaturas em três dimensões, sendo dobraduras ou papel machê.

Ele possui um nível de detalhamento absurdo, utilizando de fato todo o potencial que o Nintendo Switch possui de uma forma bem diferente. Seu mundo é em três dimensões e as construções e objetos principais são feitos de papelão e papel colado. Além disso, o efeito de luz e sombras é perfeito, não havendo nenhum ponto negativo considerando seu visual.

Os personagens feitos de dobradura são, de fato, feitos de dobradura! É como se os desenvolvedores, na hora de desenhá-los, primeiro os fazia com papel dobrado até achar a perfeição, para depois replicá-los no jogo. Existem alguns vídeos que mostram esse processo.

Além disso, algumas das recompensas dadas pela exploração são visuais, levando o Mario para cenários que enchem os olhos, incentivando muito a exploração.

O visual da água é provavelmente um dos melhores efeitos de água dos videogames. Enquanto usa e abusa de um visual cartunesco, a água vai em sentido inverso, buscando, muitas vezes, um efeito mais próximo do real (e consegue).

Ah, é justo falar que, ao tirar fotos no Switch, perde-se um pouco de qualidade, então as imagens nesse post não representam a incrível beleza e vivacidade do jogo.

Sobre sua trilha sonora, está dentro do mínimo esperado da Nintendo: a perfeição. São músicas também primorosas, elevando o astral nos momentos certos, assim como ajudando na tensão e na emoção. Apesar disso, elas apenas somam ao cenário, não sendo mais uma das muitas recompensas que o jogo dá.

Veredito

Paper Mario: The Origami King é um jogo para todos. Ele só não funciona para pessoas amarguradas da vida que não veem beleza em nada, pois um simples relance já enche os olhos com a beleza do jogo.

Sua história é simples, mas se renova a cada instante com as coisas que acontecem ao redor, mostrando que seu mundo é vivo, tão vivo que supera até alguns jogos de mundo aberto. Além disso, a exploração é muito bem premiada, incentivando os jogadores a conhecerem o mundo cada vez mais.

Para fechar com chave de ouro, seu visual e sua trilha sonora são impecáveis, também funcionando muito bem como prêmios para a exploração.

Recomendo para quem já é fã de jogos Nintendo, para quem gosta de RPGs e de Puzzle. Recomendo também para quem não é gamer e para quem não gosta tanto de jogos do gênero. Aliás, recomendo para todos, pois ele é jogo um que merece ser jogado!

Para quem leu até aqui, fica como recompensa a imagem abaixo, assim como o próprio jogo faz.


Trailer


* Esta análise foi escrita usando uma chave fornecida pela Nintendo.